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Soberania

Manifestação na USP une civilidade e estudantes em defesa da soberania nacional

Mais de 200 organizações se reuniram na USP para protestar contra tarifas de Trump e defender a soberania brasileira

Mais de 200 organizações se reuniram na USP para protestar contra tarifas de Trump e defender a soberania brasileira - Imagem: Reprodução / Paulo Pinto / Agência Brasil
Mais de 200 organizações se reuniram na USP para protestar contra tarifas de Trump e defender a soberania brasileira - Imagem: Reprodução / Paulo Pinto / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 25/07/2025, às 17h32


Na última sexta-feira (25), um expressivo grupo formado por entidades civis, estudantes e juristas se reuniu no salão nobre da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) para manifestar apoio à soberania nacional. O ato, marcado por gritos de "não à tirania, soberania não se negocia" e "sou brasileiro com muito orgulho", reflete a crescente preocupação com as relações entre Brasil e Estados Unidos.

A mobilização ocorre em um contexto de tensão entre o governo brasileiro e a administração do presidente Donald Trump. Recentemente, Trump anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, uma medida que surge após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Esta nova taxa deverá ser implementada a partir do dia 1º de agosto.

Além disso, logo após o anúncio das tarifas, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos iniciou uma investigação comercial contra o Brasil, focando em sistemas como o PIXe questões relacionadas ao comércio na famosa região da 25 de Março.

Durante o ato, mais de 200 organizações assinaram uma carta em defesa da soberania nacional, que foi divulgada no Largo São Francisco. Celso Fernandes Campilongo, diretor da Faculdade de Direito da USP, destacou que o que está em risco é uma ordem mundial democrática que respeite as instituições e o direito internacional. "Não é apenas a soberania do Brasil que está ameaçada; é a própria lei internacional. Hoje somos nós, mas amanhã pode ser qualquer outro país", afirmou Campilongo.

O diretor também alertou sobre a "intromissão estrangeira" dos EUA como uma ameaça direta à autonomia do Brasil, considerando as recentes ações tomadas pela administração Trump. Cartazes com mensagens como "Brasil, quem te ama não te USA" e "o povo unido jamais será vencido" foram vistos entre os manifestantes.

A solidariedade ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes também foi enfatizada pelo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloísio Mercadante. Ele ressaltou a importância de preservar a liberdade democrática no Brasil, especialmente para aqueles que viveram períodos de repressão e censura durante a ditadura.

Oscar Vilhena, advogado membro do Comitê de Defesa da Democracia, comentou que a ação do governo americano visa afetar os interesses dos brasileiros sob a justificativa de atacar o STF. "Precisamos estar vigilantes na defesa dos nossos interesses", concluiu Vilhena.

É importante notar que o Largo São Francisco já havia sido cenário de manifestações pela democracia e pelo sistema eleitoral brasileiro em agosto de 2022, em meio às eleições acirradas entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

A carta em defesa da soberania nacional expõe pontos cruciais sobre a independência do Brasil e seu compromisso com os direitos humanos e a não-intervenção nas relações internacionais. No documento, é reafirmado que a nação não abrirá mão da soberania conquistada e que quaisquer intromissões externas são inaceitáveis.


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