Genocídio

ONU lamenta mortes de funcionários em conflito e pede fim da impunidade

Secretário-geral da ONU homenageia vítimas e clama por justiça em evento em Nova York

Secretário-geral da ONU homenageia vítimas e clama por justiça em evento em Nova York - Imagem: Reprodução / X / @LosmiosPepe74

Gabriela Thier Publicado em 05/06/2025, às 16h44

Em uma cerimônia marcada por reflexões sobre a segurança dos trabalhadores humanitários, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um apelo contundente nesta quinta-feira (5) para que se ponha fim à impunidade, ao homenagear os 168 colaboradores da ONU que perderam a vida enquanto atuavam em prol da paz durante o ano de 2024. O conflito em Gaza foi destacado como um dos mais devastadores, resultando na morte de 126 funcionários.

Durante uma declaração à imprensa em Nova York, Guterres informou que do total de funcionários falecidos, a maioria (125) estava ligada à Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), a qual tem enfrentado severos ataques por parte de Israel. Ele enfatizou a gravidade da situação: ""Mais de um em cada 50 funcionários da UNRWA em Gaza foram mortos nesse conflito atroz. É o maior número de mortes de funcionários na história das Nações Unidas. Alguns foram mortos ao entregar ajuda humanitária; outros ao lado das suas famílias; outros enquanto protegiam os vulneráveis", disse Guterres.

O secretário-geral recordou as circunstâncias trágicas das perdas: "Alguns foram mortos enquanto entregavam ajuda humanitária; outros ao lado de suas famílias; e outros ainda enquanto protegiam os mais vulneráveis". Embora tenha abordado a situação sem mencionar diretamente Israel, seu discurso refletiu a preocupação com as consequências do conflito armado.

No contexto atual, a UNRWA é considerada pela ONU e por diversos Estados-membros como uma instituição fundamental para a assistência humanitária à população palestina. Contudo, Israel tem cortado laços com a agência desde janeiro e acusa-a de ser um suporte para o Hamas, alegando que alguns de seus funcionários estariam envolvidos nos ataques que iniciaram o atual conflito em outubro de 2023.

Guterres descreveu os trabalhadores homenageados como "indivíduos extraordinários" que dedicaram suas vidas à busca pela paz e alívio do sofrimento humano. Ele ressaltou a importância do trabalho realizado por esses profissionais e como eles não buscam reconhecimento, mas sim fazer uma diferença significativa nas vidas das pessoas afetadas por conflitos.

Ao expressar sua indignação frente à violência contra os trabalhadores humanitários, Guterres declarou que não aceitará o assassinato de seus funcionários ou de outros profissionais como algo normalizado. "Não deve haver espaço para a impunidade", insistiu ele.

Em um contexto onde críticas ao multilateralismo estão crescendo, especialmente entre figuras políticas como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Guterres reafirmou: "Embora as contribuições financeiras possam estar em dúvida, a dedicação de nossa equipe permanece inabalável". A ONU tem enfrentado cortes significativos em seu financiamento, especialmente após a administração Trump.

Com o aumento das demandas sobre suas operações e recursos financeiros em queda, Guterres ressaltou a necessidade urgente de solidariedade global. "Em um mundo onde a cooperação está sob pressão e os desafios são interligados, devemos recordar o exemplo daqueles que deram suas vidas e continuar o trabalho em homenagem ao seu legado", finalizou o secretário-geral.

Ao encerrar sua declaração, Guterres assegurou: "Não vacilaremos nos nossos princípios. Não abandonaremos nossos valores. E nunca desistiremos".

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