Relatório da ONU aponta 500 mil pessoas em situação crítica na região devastada pela guerra
Gabriela Thier Publicado em 22/08/2025, às 14h48
Nesta sexta-feira (22), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou como uma "mentira descarada" as alegações de um organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) que indicam a presença de fome extrema em determinadas regiões da Faixa de Gaza. Em um comunicado oficial emitido por seu gabinete, Netanyahu se referiu ao relatório da Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC), sediada em Roma, afirmando que este documento distorce a realidade.
O líder israelense enfatizou que "Israel não mantém uma política de fome" e destacou os esforços do país em fornecer assistência humanitária à população de Gaza, mesmo durante o período de conflitos armados.
ONU Reconhece Situação Crítica em Gaza
Por outro lado, a ONU declarou formalmente a existência de uma situação de fome na Faixa de Gaza nesta mesma data. Especialistas da organização alertaram que cerca de 500 mil pessoas estão enfrentando uma condição considerada "catastrófica". Após meses de alertas sobre a grave crise alimentar no território devastado pela guerra, o IPC confirmou que a fome já está se manifestando em Gaza, especialmente nas localidades de Deir al Balah e Khan Yunis, com previsões alarmantes até o final deste mês.
O diretor de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, afirmou que a situação crítica poderia ter sido evitada caso não houvesse "a obstrução sistemática" por parte de Israel. Ele comentou: "Esta é uma fome que poderíamos ter evitado se tivéssemos recebido as condições necessárias para isso. Contudo, os alimentos estão acumulados nas fronteiras devido às restrições impostas por Israel", acrescentando que "essa fome terá repercussões para todos nós".