A proposta inclui a libertação de 10 reféns israelenses e um acordo mais amplo para encerrar o conflito em Gaza

Gabriela Thier Publicado em 18/08/2025, às 15h47
O Hamas concordou com uma nova proposta de cessar-fogo para a Faixa de Gaza, que inclui uma trégua e a liberação de reféns, conforme relatado por uma fonte do grupo à AFP nesta segunda-feira (18). A fonte, que optou por permanecer anônima, informou que "o Hamas enviou sua resposta aos mediadores, confirmando que tanto o Hamas quanto suas facções concordam com o novo cessar-fogo sem solicitar nenhuma alteração".
A proposta apresentada prevê um período inicial de trégua de 60 dias, acompanhado da liberação em duas etapas como condição para um acordo definitivo. Um funcionário palestino antecipou essa informação na mesma data.
Egito, Catar e Estados Unidos atuam como mediadores nas negociações entre Israel e Hamas. Contudo, até o momento, esses esforços não conseguiram estabelecer um cessar-fogo sustentável no conflito que já dura 22 meses e gerou uma grave crise humanitária na região. Uma fonte ligada à Jihad Islâmica destacou que o plano inclui um "acordo de cessar-fogo de 60 dias durante os quais 10 reféns israelenses serão libertados junto com um número específico de corpos".
Do total de 251 reféns capturados pelo Hamas durante o ataque que deu início ao conflito em outubro de 2023, 49 permanecem em Gaza, sendo 27 corpos, conforme informações do Exército israelense. Segundo a fonte da Jihad Islâmica, "os demais cativos serão libertados em uma segunda fase, seguida imediatamente por negociações para um acordo mais amplo que vise encerrar a guerra e a agressão", com garantias internacionais.
Adicionalmente, a fonte afirmou que "todas as facções apoiam o que foi apresentado" pelos mediadores egípcios e cataris. O chanceler egípcio Badr Abdelatty, que visitou a passagem de Rafah nesta segunda-feira, enfatizou a urgência de se chegar a um acordo diante das condições humanitárias alarmantes enfrentadas pelos mais de dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza, que segundo a ONU e organizações humanitárias estão passando por uma severa crise alimentar. "A situação atual no terreno é inimaginável", declarou o ministro.
Por outro lado, a Defesa Civil de Gaza informou que 11 pessoas perderam a vida nesta segunda-feira devido a ataques israelenses na região. A AFP não conseguiu verificar essas informações de forma independente devido às restrições impostas à imprensa em Gaza e às dificuldades de acesso ao território. A Anistia Internacional acusou Israel de conduzir "uma campanha deliberada de fome" em Gaza e de destruir "sistematicamente a saúde, o bem-estar e o tecido social" da população local.
Israel rejeitou acusações similares anteriores, mas continua restringindo significativamente o fluxo de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza. O ataque do Hamas em outubro resultou em 1.219 mortos, predominantemente civis, segundo dados oficiais. Em resposta, a ofensiva israelense causou quase 62.000 mortes entre os palestinos, também na maioria civis, segundo informações do Ministério da Saúde de Gaza, consideradas confiáveis pela ONU.
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