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Netanyahu afirma que Hamas não governará mais Gaza e oferece recompensa por reféns recuperados

Benjamin Netanyahu - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews
Benjamin Netanyahu - Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews
Agenor Duque

por Agenor Duque

Publicado em 22/11/2024, às 07h07


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (20) que o grupo Hamas não terá mais controle sobre a Faixa de Gaza após o término do conflito em curso. Durante visita à região, ele reforçou o compromisso de Israel em localizar os 97 reféns israelenses que as autoridades acreditam ainda estarem sob poder do grupo. Netanyahu também anunciou uma medida inédita: uma recompensa de US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 29 milhões) será paga a palestinos que contribuírem para a recuperação de cada refém.

Precisamos garantir que o Hamas não governe aqui no dia seguinte. É por isso que todas essas ações aconteceram (operação militar) e é por isso que continuarão a acontecer, até concluirmos a missão”, declarou o premiê.

A recompensa de milhões de dólares é vista como uma tentativa de incentivar a colaboração de palestinos no território. Netanyahu destacou que, além do benefício financeiro, os colaboradores e suas famílias receberão garantias de segurança e proteção. “Quem nos trouxer um refém encontrará um caminho seguro para ele e sua família. A escolha é sua, mas o resultado será o mesmo. Vamos trazê- -los todos de volta”, afirmou.

O Contexto do Conflito

A guerra entre Israel e Hamas começou em 7 de outubro de 2023, quando um ataque coordenado do grupo palestino resultou na morte de cerca de 1.200 israelenses, além do sequestro de mais de 250 pessoas levadas para Gaza. O ataque marcou uma das ações mais mortais contra civis na história recente de Israel.

Desde então, o conflito gerou uma devastação significativa na Faixa de Gaza. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, estima que cerca de 44 mil pessoas morreram no território, em sua maioria civis. Já a liderança israelense argumenta que suas operações militares são direcionadas a neutralizar combatentes e a infraestrutura do Hamas. Além disso, Israel é o único exército que avisa sobre seus ataques, a fim de proporcionar oportunidade para que civis se protejam.

As forças israelenses intensificaram as operações no território, enfraquecendo o controle do Hamas e eliminando lideranças do grupo, como Yahya Sinwar, considerado um dos estrategistas do ataque de outubro.

Repercussão Internacional

A estratégia de Netanyahu tem gerado diferentes reações. Analistas enxergam na oferta de recompensa uma tentativa de enfraquecer a influência do Hamas entre os palestinos, incentivando atos que desestabilizem a organização. No entanto, a medida também levanta preocupações sobre possíveis repercussões para civis que decidirem colaborar, já que o Hamas frequentemente emprega retaliações severas contra dissidentes.

A guerra colocou a região em um impasse humanitário crítico. Gaza enfrenta severas restrições de acesso a alimentos, água e medicamentos, com milhares de famílias desabrigadas em meio à destruição de grande parte da infraestrutura local.

Visitas à Faixa de Gaza

Esta é a segunda visita de Netanyahu ao território durante o conflito. Em novembro de 2023, ele esteve em Gaza durante uma trégua temporária mediada por organizações internacionais. Agora, em uma fase avançada da guerra, a presença do líder israelense reforça o tom de determinação de seu governo em reconfigurar o controle sobre Gaza.

O futuro da Faixa de Gaza segue incerto. Especialistas apontam que, mesmo após um eventual colapso do Hamas, a reconstrução e a estabilidade do território dependerão de negociações complexas envolvendo Israel, a Autoridade Palestina e a comunidade internacional.

Com sua recente declaração, Netanyahu deixou claro que não haverá espaço para o Hamas em um futuro pós-conflito. Contudo, a forma como esse “dia seguinte” será estruturado ainda permanece em aberto, com desafios políticos, sociais e humanitários a serem enfrentados.


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