Líderes europeus pedem dignidade nas negociações
Gabriela Thier Publicado em 03/02/2025, às 19h04
Na última segunda-feira (3), durante uma reunião em Bruxelas, o presidente francês Emmanuel Macron enfatizou a necessidade de uma resposta unificada da União Europeia (UE) caso os Estados Unidos decidam implementar novas tarifas comerciais contra o bloco europeu. A declaração, que foi divulgada pela agência de notícias AFP, surge em um contexto de crescente tensão comercial alimentada pelas políticas protecionistas do governo do ex-presidente Donald Trump, visando reduzir o déficit comercial dos EUA.
Macron, ao chegar para a cúpula informal de líderes da UE focada em questões de defesa, afirmou: "Se formos atacados em questões comerciais, a Europa, como uma potência firme, terá que estabelecer normas e reagir". Esse posicionamento revela as preocupações que permeiam a liderança europeia sobre as possíveis repercussões das decisões comerciais da administração norte-americana.
A preocupação do presidente francês é compartilhada por outros líderes da UE. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, criticou a escalada das disputas comerciais, considerando-as "totalmente desnecessárias e estúpidas". Ele ressaltou a importância de a União Europeia agir com equilíbrio nas negociações. "Devemos fazer tudo ao nosso alcance para evitar guerras comerciais, mas não podemos sacrificar nossa dignidade e autoconfiança", declarou Tusk, que preside o bloco rotativamente pelos próximos seis meses.
O chanceler alemão Olaf Scholz também se manifestou sobre o tema, alertando que qualquer aumento nas tarifas comerciais poderia ter consequências negativas para ambas as partes. "Se houver um impacto negativo decorrente das tarifas, isso será prejudicial tanto para os Estados Unidos quanto para a Europa", afirmou. Scholz reforçou a necessidade de a União Europeia reconhecer sua força nas negociações e concluiu: "O requisito básico para um acordo com Trump é considerar nosso próprio poder. A Europa pode agir".