Relações Internacionais

Lula participará da cúpula Celac-UE em meio a tensões no Caribe

Cúpula reunirá líderes da Celac e UE para discutir comércio e revitalizar relações, enquanto Lula se prepara para a COP30

Cúpula reunirá líderes da Celac e UE para discutir comércio e revitalizar relações, enquanto Lula se prepara para a COP30 - Imagem: Reprodução / José Cruz / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 05/11/2025, às 19h22

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcará presença na cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE), programada para o próximo domingo, dia 9, em Santa Marta, na Colômbia. O chefe de Estado brasileiro acredita que este encontro servirá como uma plataforma ideal para debater a crescente atividade militar dos Estados Unidos na região do Caribe e nas proximidades da Venezuela.

Durante uma entrevista concedida a agências internacionais em Belém, no Pará, nesta terça-feira (4), Lula revelou ter discutido a questão com o presidente estadunidense, Donald Trump, durante um encontro realizado na Malásia em outubro. Ele expressou sua disposição para atuar como mediador entre os EUA e a Venezuela.

"A realização da cúpula da Celac se justifica plenamente se tivermos a oportunidade de abordar a questão dos navios de guerra americanos nos mares latino-americanos. Durante minha conversa com o presidente Trump, enfatizei que a América Latina deve ser considerada uma zona de paz", afirmou Lula.

O presidente brasileiro reiterou: "Nós somos uma zona de paz e não precisamos de conflitos. A situação na Venezuela é um desafio político que deve ser solucionado através do diálogo político". A cúpula Celac-UE ocorre em um contexto de tensão no Caribe, onde os Estados Unidos têm mobilizado tropas terrestres, submarinos e embarcações militares. O governo Trump justificou essas ações como parte de uma estratégia para combater rotas de narcotráfico que afetam o território norte-americano.

Por outro lado, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tem argumentado que os movimentos militares são motivados por interesses nas vastas reservas petrolíferas do país e que visam desestabilizar seu governo.

A cúpula reunirá líderes dos 27 países da União Europeia e das 33 nações da Celac, com o objetivo de revitalizar o diálogo entre as duas regiões e discutir negociações relacionadas ao acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Embora o encontro se estenda até segunda-feira (10), Lula participará apenas do primeiro dia antes de retornar a Belém para a abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

Desde sábado (1º), Lula está no Pará, onde inaugurou obras na capital e visitou comunidades indígenas e tradicionais no interior do estado. Na quinta-feira (6) e sexta-feira (7), ele presidirá a cúpula dos líderes da COP30 em Belém, evento preparatório para a conferência principal.

As negociações formais entre os delegados dos países signatários do tratado sobre mudanças climáticas das Nações Unidas ocorrerão após a cúpula, entre 10 e 21 de novembro. Os temas centrais da agenda incluem financiamento climático, transição energética, adaptação às mudanças climáticas e preservação da biodiversidade.

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