A Diretora de Inteligência Nacional dos EUA destaca que o Irã não reativou seu programa nuclear, apesar das tensões com Israel
Gabriela Thier Publicado em 18/06/2025, às 16h04
Em um contexto de crescente tensão geopolítica, a Diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, declarou em 25 de março de 2025, durante uma audiência na Comissão de Inteligência do Senado, que o Irã não está atualmente desenvolvendo armas nucleares. Essa afirmação se deu apenas dois meses antes do ataque israelense ao território iraniano.
Gabbard, que foi nomeada para o cargo pelo ex-presidente Donald Trump, afirmou: "A Comunidade de Inteligência (CI) mantém a avaliação de que o Irã não está construindo uma arma nuclear e que o Líder Supremo Khamenei não autorizou o retorno do programa nuclear, que foi suspenso em 2003. Continuamos monitorando atentamente se Teerã decidirá reativar esse programa".
A declaração da Diretora contrasta com a posição oficial do governo Trump, que tem alinhado suas políticas com as de Israel. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tem insistido que o Irã está em vias de desenvolver uma bomba atômica, uma alegação que Teerã refuta categoricamente.
Em resposta a questionamentos durante uma coletiva após um encontro do G7 no Canadá, Trump minimizou as declarações de Gabbard, afirmando que não se importava com os relatórios apresentados ao Senado e reafirmando a posição alarmista sustentada por Netanyahu: "Acredito que eles estavam muito perto de obter uma [bomba atômica]".
Apesar da negação quanto ao desenvolvimento de armamento nuclear, Gabbard também indicou que o Irã havia começado a discutir publicamente a construção de armas nucleares, um movimento que ela descreveu como uma quebra de tabu. Segundo ela, "Isso provavelmente fortaleceu os defensores do programa nuclear dentro do governo iraniano. Além disso, o estoque de urânio enriquecido do Irã atingiu níveis sem precedentes para um estado que não possui armas nucleares".
O ex-inspetor da ONU e analista Scott Ritter comentou sobre a situação, criticando Trump por desconsiderar as avaliações dos serviços de inteligência dos EUA enquanto se alinha com informações oriundas de Israel. "Como presidente dos EUA, ele está permitindo que a inteligência israelense influencie diretamente as decisões da Diretoria de Inteligência Nacional. Como cidadão americano, é preocupante ver uma potência estrangeira assumindo a responsabilidade por informar o presidente sobre questões tão cruciais relacionadas à guerra", expressou Ritter em uma plataforma social.