Cuba

Decisão histórica de Biden: Cuba sai da lista de terrorismo dos EUA

Decisão pode ser alterada no novo governo mas crise do país latino deve melhorar

Decisão pode ser alterada no novo governo mas crise do país latino deve melhorar - Imagem: Reprodução / Pixabay

Gabriela Thier Publicado em 15/01/2025, às 15h38

Faltando apenas seis dias para deixar o cargo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tomou uma decisão significativa ao retirar Cuba da lista de países considerados como patrocinadores do terrorismo. Além disso, ele suspendeu por um período de seis meses a possibilidade de processar indivíduos que se beneficiaram de propriedades expropriadas durante a Revolução Cubana e cancelou certas restrições que limitavam transações financeiras entre cidadãos e entidades americanas e cubanas.

Embora essa nova postura possa ser revertida pela administração que assumirá o governo no dia 20 deste mês, especialistas observam que essas medidas, apesar de suas limitações, têm potencial para amenizar a grave crise econômica enfrentada pela ilha. 

A justificativa do governo Biden para essas mudanças se alinha a um acordo mediado pela Igreja Católica, sob a liderança do Papa Francisco, resultando na libertação de 553 prisioneiros cubanos.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, afirmou: "Essas ações não só reforçam o diálogo em curso entre o governo cubano e a Igreja Católica, mas também refletem a consideração e os conselhos recebidos de diversos líderes globais, especialmente na América Latina, sobre as melhores práticas para promover os direitos humanos em Cuba".

Na justificativa para a retirada de Cuba da lista de terrorismo, Biden mencionou que o governo cubano não havia fornecido apoio a atividades terroristas internacionais nos seis meses anteriores à decisão e garantiu que não irá apoiar tais ações no futuro.

O presidente cubano Miguel Diáz-Canel Bermúdez expressou seu agradecimento nas redes sociais a todos que contribuíram para essa decisão, embora tenha ressaltado que o alcance das medidas é limitado devido à continuidade do embargo econômico contra Cuba. Ele reafirmou o compromisso do país em buscar uma relação "civilizada e respeitosa" com os Estados Unidos.

Diáz-Canel declarou: "Esta é uma decisão positiva, embora tardia e com impacto restrito. O bloqueio e as inúmeras medidas extremas implementadas desde 2017 para sufocar nossa economia permanecem em vigor. Continuaremos a resistir e denunciar a guerra econômica e as campanhas de desinformação promovidas com recursos federais dos EUA".

O Ministério das Relações Exteriores de Cuba também destacou em comunicado que diversas sanções unilaterais ainda estão em vigor. Entre elas estão a perseguição a fornecedores de combustíveis para Cuba, a proibição de transações financeiras internacionais com outros países e ameaças contra indivíduos e empresas dispostas a investir na ilha.

O Brasil manifestou apoio às iniciativas do presidente Biden por meio de nota oficial, considerando-as como atos de reparação e um passo rumo à justiça e ao direito internacional. O Itamaraty enfatizou: "O governo brasileiro sempre considerou injusta e infundada a inclusão de Cuba em uma lista unilateral associada ao terrorismo, especialmente considerando que Cuba tem colaborado ativamente para promover a paz, o diálogo e a integração regional".

Papa Francisco eua Cuba Biden

Leia também