Tensão entre os países aumenta com polêmicas sobre soberania

Gabriela Thier Publicado em 08/01/2025, às 17h10
Em uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (8), a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, apresentou uma proposta provocativa em resposta às recentes declarações do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Ela sugeriu que os EUA deveriam ser referidos como "América mexicana", em contrapartida à proposta de Trump de renomear o Golfo do México para "Golfo da América".
Sheinbaum enfatizou a legitimidade do nome "Golfo do México", reconhecido internacionalmente pelas Nações Unidas. Durante a entrevista, destacou um mapa-múndi do século XVII que rotula a região como América do Norte. "Por que não chamamos os Estados Unidos de América mexicana? Parece apropriado", comentou a presidenta, sublinhando o caráter simbólico da discussão sobre nomenclaturas geográficas.
Ainda assim, Sheinbaum expressou sua intenção de manter um relacionamento cordial com Trump, baseando-se na colaboração positiva entre o atual governo mexicano e a administração anterior de Andrés Manuel López Obrador (2018-2024). "Ele mencionou o nome, nós também discutimos sobre isso", acrescentou.
As declarações de Trump na terça-feira levantaram polêmica quando ele afirmou que pretende alterar o nome do Golfo do México ao assumir a presidência em 20 de janeiro. O republicano também fez afirmações contundentes sobre o controle do México por cartéis de drogas e renovou ameaças de impor tarifas sobre produtos mexicanos caso não haja cooperação no combate à imigração ilegal e ao tráfico de drogas.
Adicionalmente, Trump anunciou sua intenção de classificar os cartéis mexicanos como organizações terroristas — uma medida que já havia considerado durante seu mandato anterior (2017-2021), mas que foi interrompida após um pedido formal do governo mexicano, que se comprometeu a colaborar em questões de segurança nacional sem aceitar intervenções militares americanas em seu território.
Sheinbaum também criticou as intenções de Trump sob a mesma ótica de López Obrador, argumentando que tais ações poderiam infringir a soberania do México e criar um cenário de instabilidade nas relações bilaterais.
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