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Igreja Católica

Vaticano muda postura ao permitir que homens gays se tornem padres

Mudança aplica-se exclusivamente ao território italiano, com vigência de um período experimental de três anos

Vaticano muda postura ao permitir que homens gays se tornem padres - Imagem: Reprodução / X / @g1
Vaticano muda postura ao permitir que homens gays se tornem padres - Imagem: Reprodução / X / @g1

William Oliveira Publicado em 11/01/2025, às 09h57


O Vaticano implementou recentemente novas diretrizes que permitem a entrada de homens gays nos seminários, desde que se comprometam a abster-se de relações sexuais, uma exigência aplicável a todos os sacerdotes. Essa mudança na postura da Igreja Católica foi considerada surpreendente e, inicialmente, se aplica apenas ao território italiano.

Embora o Vaticano nunca tenha proibido explicitamente homens gays de ingressar no sacerdócio, uma norma de 2016 determinava que os seminários não deveriam aceitar candidatos com "tendências homossexuais profundamente arraigadas". As novas diretrizes, publicadas discretamente no site da Conferência Episcopal Italiana, indicam que as preferências sexuais dos candidatos devem ser consideradas, mas apenas como um aspecto entre outros de sua personalidade.

As orientações sugerem que "ao analisar a homossexualidade durante o processo formativo, é essencial não restringir o discernimento a esse único fator, mas compreender seu significado dentro de um contexto mais amplo da personalidade do candidato".

Os bispos italianos aprovaram essas diretrizes em novembro do ano passado. O documento conta com o respaldo do Escritório do Clero do Vaticano, que validou sua implementação por um período experimental de três anos.

Desde que assumiu o papado em 2013, o Papa Francisco tem adotado uma postura mais inclusiva em relação à comunidade LGBTQIA+. Em declarações recentes, ele permitiu que padres abençoassem uniões entre pessoas do mesmo sexo em circunstâncias específicas.

No entanto, a aceitação de homens gays no sacerdócio ainda é um tema delicado e tabu dentro da Igreja. Muitos sacerdotes homossexuais relutam em discutir abertamente sua orientação sexual devido ao estigma associado.

O Papa Francisco endossou a instrução anterior de 2016, que atualizava um documento de 2005 do Papa Bento XVI. O atual pontífice pediu uma análise criteriosa dos candidatos aos seminários e tem adotado medidas para afastar sacerdotes que mantêm relações sexuais.

Além disso, o Papa Francisco teria usado uma expressão depreciativa ao se referir a pessoas gays durante uma reunião reservada no ano passado, resultando em um pedido de desculpas por parte do Vaticano, algo incomum para a instituição.


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