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China decide o futuro e o Brasil precisa acompanhar

As sessões da APN e CCPPC moldam o futuro econômico e político da China, com reflexos diretos nas relações internacionais

As sessões da APN e CCPPC moldam o futuro econômico e político da China - Imagem: Reprodução / Pixabay

Marcus Vinícius de Freitas Publicado em 05/03/2025, às 16h27

As duas sessões legislativas anuais da China — a Assembleia Popular Nacional (APN) e a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) —, que ocorrem nesta semana em Beijing, são momentos
decisivos para a definição das diretrizes políticas, econômicas e tecnológicas do país. Essas reuniões ganham ainda mais relevância diante de um cenário global de incertezas econômicas e transformações tecnológicas aceleradas. Para o Brasil, compreender os desdobramentos dessas decisões é uma oportunidade estratégica para fortalecer a relação bilateral e ampliar parcerias em setores-chave como comércio, investimentos, inovação e sustentabilidade.

A importância do planejamento e da adaptação a novas realidades reflete um princípio central do pensamento chinês, expresso por Confúcio: “Se queres prever o futuro, estuda o passado”. As decisões tomadas nessas sessões legislativas não apenas moldam o presente da China, mas também delineiam seu caminho para o futuro, influenciando diretamente o cenário global. A China adota um modelo de governança que combina participação popular, consulta ampla e tomada de decisão centralizada. Durante a APN, legisladores aprovam o Relatório de Trabalho do Governo, documento que estabelece as metas socioeconômicas e define os rumos da economia chinesa. Paralelamente, a CCPPC reúne representantes de diversos setores da sociedade para debater políticas públicas e apresentar propostas para desafios domésticos e globais. Em 2025, as prioridades dessas sessões incluem a ampliação da abertura econômica, o fortalecimento da autossuficiência tecnológica e a promoção de setores estratégicos como semicondutores, inteligência artificial e energias renováveis.

A China adota um modelo de governança baseado no planejamento estratégico de longo prazo. Esse enfoque permite ao país estabelecer e seguir diretrizes claras para seu desenvolvimento econômico e social, garantindo maior previsibilidade e eficiência na implementação de reformas estruturais. As decisões tomadas nas duas sessões não afetam apenas o desenvolvimento interno da China, mas também reverberam globalmente. Com uma economia que mantém um crescimento sólido e contribui significativamente para a expansão econômica mundial, o país influencia diretamente o fluxo de comércio, investimentos e parcerias estratégicas com outras nações.

A China é o principal destino das exportações brasileiras de soja, minério de ferro e petróleo. No entanto, as diretrizes das duas sessões de 2025 oferecem uma oportunidade para diversificação e aprofundamento da parceria. O foco chinês em inovação tecnológica abre portas para colaborações estratégicas em inteligência artificial, biotecnologia e economia sustentável. O Brasil pode se posicionar como um fornecedor essencial de matérias-primas críticas para a transição energética chinesa, como lítio e níquel, além de fortalecer sua presença em projetos conjuntos de infraestrutura e logística. Com a China investindo pesadamente em energias renováveis e tecnologias verdes, o Brasil poderá expandir sua cooperação em pesquisa e desenvolvimento de soluções ambientais.

A abordagem chinesa enfatiza um sistema contínuo de consulta e participação social na formulação de políticas. As duas sessões legislativas da China não são apenas um evento político interno, mas um marco estratégico com impactos globais. Para o Brasil, acompanhar atentamente essas discussões e engajar-se ativamente no diálogo com a China pode trazer benefícios concretos, desde a ampliação do comércio bilateral até parcerias tecnológicas e ambientais. Diante das transformações econômicas e geopolíticas em curso, adotar uma postura proativa na relação com a China pode ser um diferencial competitivo para o Brasil.

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