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Trump (de novo), tarifas e a nossa importância no mundo

Trump (de novo), tarifas e a nossa importância no mundo - Imagem: Reprodução / Instagram / @realdonaldtrump

Kleber Carrilho Publicado em 02/08/2025, às 18h14

Tem semana que parece ter notícia demais pra digerir. E essa foi uma delas. Em poucos dias, o Brasil virou alvo duplo de Donald Trump: de um lado, o ex-presidente americano impôs mais sanções ao ministro Alexandre de Moraes, alegando abuso de poder no caso Bolsonaro e de interferência na atuação das big techs. De outro, confirmou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, principalmente carne e café.

A relação entre os dois episódios, que nem deveria existir, é a mais clara possível: Trump quis mandar um recado. Primeiro, aos eleitores mais radicais, mostrando que está disposto a defender seu aliado brasileiro. E também ao governo Lula, dizendo que está de olho no que acontece no país, e que não está gostando.

No caso das tarifas, o curioso é que a lista tem inúmeras exceções. Produtos como suco de laranja, aviões, metais e até componentes eletrônicos ficaram de fora. Mas a carne e o café, símbolos do agronegócio nacional, estão na taxação. Um sinal político, claro. E econômico também. Afinal, mexendo com setores importantes, a ideia é deixar o governo Lula sem possibilidade de apoio.

Só que, além dos problemas imediatos e eleitorais, isso tudo expõe uma fragilidade incômoda: o Brasil ainda tem pouca relevância internacional quando o assunto é comércio exterior. Somos grandes exportadores, mas com baixo valor agregado e baixa diversificação. Isso faz com que, em volume financeiro, não sejamos parceiros importantes nem para os Estados Unidos, nem para a China. Nem mesmo a liderança regional, que já foi tão discutida, temos conseguido manter. Esse é o principal motivo pelo qual estamos sempre vulneráveis a decisões de líderes temperamentais como Trump.

Mas temos boa notícia. O governo reagiu rápido. O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin assumiu a linha de frente das negociações e deu o tom: é hora de manter firmeza, com calma, sem partir para a briga vazia. Cabe ao Itamaraty, à Fazenda e ao MDIC mostrar que o Brasil sabe defender seus interesses, e que não vai virar palanque de discurso do presidente dos EUA.

Porém, mais do que responder a uma crise, é momento de reflexão. O Brasil precisa repensar sua política industrial, investir em tecnologia e ampliar sua presença nas cadeias globais. Porque, sinceramente, não dá mais pra um país do nosso tamanho ser tratado como peça sem importância no tabuleiro internacional.

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