Total chega a R$ 9,9 bilhões; consulta e resgate só podem ser feitos pela plataforma oficial Valores a Receber
Gabriela Nogueira Publicado em 09/12/2025, às 18h49
O governo federal confirmou que não existe data limite para que cidadãos e empresas recuperem valores esquecidos em bancos e outras instituições financeiras. A informação foi reforçada pelo Ministério da Fazenda logo após o Banco Central atualizar, nesta terça-feira (9), o levantamento oficial do sistema Valores a Receber. O montante disponível soma hoje R$ 9,92 bilhões ainda não solicitados.
Do total, R$ 7,73 bilhões pertencem a pessoas físicas, o equivalente a quase 49 milhões de CPFs. Outros R$ 2,19 bilhões estão vinculados a CNPJs de empresas que ainda não buscaram os recursos. Desde o início do programa, o Banco Central já devolveu R$ 12,6 bilhões deixados para trás pelos clientes ao longo dos anos.
O Valores a Receber permite consultar recursos oriundos de contas antigas, cobranças indevidas, consórcios, tarifas não sacadas e outros tipos de saldo residual acumulado em bancos. A liberação do acesso ocorreu oficialmente em outubro de 2024, mas o governo reforça que o resgate poderá ser feito em qualquer momento no futuro.
Como consultar os valores
A verificação só pode ser feita pelo site oficial valoresareceber.bcb.gov.br. É possível pesquisar valores de pessoas físicas, jurídicas e também de titulares falecidos. No caso de herança, é obrigatório que o solicitante seja herdeiro ou representante legal e que assine um termo de responsabilidade.
Para aqueles que desejam receber os valores eletronicamente, é indispensável informar uma chave PIX válida. Quem ainda não possui a chave deve cadastrá-la na instituição financeira antes de retornar ao sistema.
Em situações em que o banco não aceita devolução automática via PIX, o cliente precisará entrar em contato diretamente com a instituição para receber orientações sobre o procedimento de resgate.
Solicitação automática
Desde maio deste ano, o Banco Central passou a oferecer a opção de habilitar uma solicitação automática de devolução. O mecanismo dispensa consultas frequentes ao sistema e libera o crédito sempre que um novo valor surgir para o CPF cadastrado.
Para ativar a função, é necessário possuir conta gov.br de nível prata ou ouro, com autenticação em duas etapas habilitada. A funcionalidade é exclusiva para pessoas físicas com chave PIX vinculada ao CPF.
Os cidadãos não receberão mensagens de aviso sobre depósitos realizados. O valor é transferido diretamente pela instituição financeira para a conta do titular.
Aumento das medidas de segurança
Com o avanço de tentativas de fraude, o Banco Central reforçou as camadas de verificação no sistema. Agora, além da exigência de conta gov.br prata ou ouro, o acesso requer validação em duas etapas. Usuários que não possuem o aplicativo gov.br instalado deverão baixá-lo e realizar reconhecimento facial para completar o login.
Alerta contra golpes
O governo orienta que nenhuma comunicação oficial é feita por telefone, WhatsApp, SMS ou e-mail para solicitar dados pessoais ou confirmar valores disponíveis. O único canal legítimo é o site do Banco Central. Qualquer contato externo deve ser tratado como tentativa de golpe.