Tensão no Oriente Médio eleva preocupação com o abastecimento mundial de energia e pressiona preços do barril
Letícia Sales Publicado em 14/07/2026, às 08h14
Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir com força nesta terça-feira (14), impulsionados pelo agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. A possibilidade de novos obstáculos ao transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de energia do planeta, aumentou a cautela dos investidores e fez o mercado reagir.
No início da manhã, o barril do Brent, referência internacional, era negociado a US$ 87,03, com alta de 4,48%. Já o petróleo WTI, utilizado como referência nos Estados Unidos, avançava 3,46%, sendo cotado a US$ 80,84. Os dois contratos atingiram os maiores níveis em aproximadamente quatro semanas.
A valorização ocorre após o governo do presidente Donald Trump restabelecer um bloqueio naval ao Irã e ampliar as operações militares contra o país, mesmo depois da assinatura, em junho, de um memorando de entendimento que previa o encerramento das hostilidades. Para analistas, o cenário indica que o acordo pode não resistir ao aumento das tensões.
O principal foco de preocupação é o Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico por onde circula cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente. Nas últimas semanas, novos episódios elevaram o risco de interrupções no fluxo de energia, entre eles a retomada do bloqueio à navegação iraniana pelos Estados Unidos, a proposta americana de cobrar uma taxa para proteger embarcações na região e ataques contra navios-tanque dos Emirados Árabes Unidos.
A redução no número de petroleiros que cruzam o estreito também reforçou o receio de desabastecimento. Segundo analistas do ANZ, caso as restrições persistam, o petróleo poderá permanecer entre US$ 85 e US$ 90 por barril nas próximas semanas.
A alta da commodity também acende um alerta para a inflação mundial. Com combustíveis mais caros, os custos de transporte e produção tendem a aumentar, o que pode encarecer produtos e serviços em diversos países.
Nos Estados Unidos, a movimentação do mercado ocorre em meio à expectativa pela divulgação dos dados de inflação de junho. Investidores acompanham o cenário com atenção, já que novos aumentos nos preços da energia podem dificultar o controle da inflação pelo Federal Reserve (Fed), mantendo os juros elevados por mais tempo ou até exigindo novas altas.
Os reflexos também foram sentidos nas bolsas de valores. Na Ásia, a maioria dos principais índices encerrou o dia em alta, impulsionada tanto pela valorização das empresas do setor de energia quanto pelo crescimento das exportações chinesas, favorecidas pela demanda por chips e equipamentos voltados à inteligência artificial.
Na Europa, o cenário foi mais cauteloso. Enquanto empresas ligadas ao petróleo registraram ganhos, ações dos setores financeiro e de viagens pressionaram os principais índices para baixo. A petroleira BP figurou entre os destaques positivos após indicar que a valorização do petróleo e o melhor desempenho de suas refinarias devem fortalecer o lucro do segundo trimestre.
No mercado de câmbio, o dólar permaneceu próximo das máximas registradas nos últimos 13 meses, refletindo a expectativa de que o aumento dos preços da energia mantenha a inflação elevada nos Estados Unidos e reduza as chances de cortes nos juros no curto prazo.