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INPC de fevereiro registra alta de 1,48%, influenciado pela conta de luz

A comparação entre INPC e IPCA revela diferenças importantes no perfil das famílias e nos impactos dos preços dos alimentos

INPC de fevereiro registra alta de 1,48%, influenciado pela conta de luz - Imagem: Reprodução / Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 12/03/2025, às 16h55

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que é um importante indicador da inflação utilizado para reajustar salários, registrou uma elevação de 1,48% em fevereiro. Este índice é uma referência crucial, assim como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que também apontou a conta de luz como um dos principais responsáveis pela alta no mês.

Este resultado do INPC é o mais elevado desde março de 2022, quando foi registrado 1,71%. Comparando com dados históricos, este valor é o maior para o mês de fevereiro desde 2003, quando a inflação foi de 1,46%. No acumulado dos últimos 12 meses, o INPC soma 4,87%.

Os números foram divulgados na quarta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A disparada observada em fevereiro é atribuída, em grande parte, ao fim do Bônus Itaipu, que proporcionou um desconto na conta de energia elétrica em janeiro. Durante esse primeiro mês do ano, o índice havia apresentado uma variação nula (0%).

Com o término do desconto, já previsto por analistas, a tarifa da energia elétrica sofreu um aumento significativo de 16,96%. Isso resultou em uma elevação de 4,79% no grupo habitação - que inclui a energia elétrica - impactando o INPC em 0,79 ponto percentual.

No âmbito dos produtos alimentícios, houve um aumento de 0,75% em fevereiro, mostrando uma desaceleração quando comparado ao mês anterior, que registrou uma alta de 0,99%.

A variação e os impactos dos diferentes grupos de produtos e serviços são fundamentais para entender a composição do INPC. Este índice tem grande relevância na vida financeira dos brasileiros, pois seu acumulado anual geralmente serve como base para os reajustes salariais em diversas categorias ao longo do ano.

Por exemplo, o cálculo do salário mínimo utiliza os dados referentes ao mês de novembro. Já os valores relacionados ao seguro-desemprego e outros benefícios previdenciários são ajustados com base nos resultados obtidos em dezembro.

Ao se comparar o INPC com o IPCA, nota-se que a principal distinção está no perfil das famílias analisadas: o INPC foca nas famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos, enquanto o IPCA considera aquelas com renda de até 40 salários mínimos. Atualmente, o salário mínimo no Brasil é de R$ 1.518.

O IBGE atribui pesos diferentes aos grupos de preços analisados. No caso do INPC, os alimentos têm um peso de 25% no índice total – superior ao percentual do IPCA que é de 21,86% – uma vez que as famílias de menor renda destina uma parcela maior de seus gastos à alimentação. Por outro lado, custos como passagens aéreas têm menor impacto no INPC em comparação ao IPCA.

Conforme explica o IBGE: "A apuração do INPC visa corrigir o poder aquisitivo dos salários através da mensuração das variações nos preços da cesta consumida pela população assalariada com menores rendimentos".

A abrangência da pesquisa inclui diversas regiões metropolitanas como Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte e outras grandes cidades do Brasil, além do Distrito Federal e municípios como Goiânia e Campo Grande.

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