Aumento

Inflação prévia em julho atinge 0,33% e pressiona contas de energia

Apesar da queda nos preços dos alimentos, o grupo ainda apresenta um aumento significativo de 7,36% em doze meses

Apesar da queda nos preços dos alimentos, o grupo ainda apresenta um aumento significativo de 7,36% em doze meses - Imagem: Reprodução / Arquivo / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 25/07/2025, às 19h19

No mês de julho, a inflação prévia registrou uma alta de 0,33%, superando a taxa de 0,26% observada em junho. Esse aumento é atribuído, em grande parte, ao impacto da bandeira vermelha nas contas de energia elétrica e ao reajuste tarifário em cinco capitais brasileiras.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (25), no Rio de Janeiro. Com este resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumula um aumento de 5,3% nos últimos doze meses, ultrapassando a meta governamental que admite uma variação de até 4,5%. Para efeito de comparação, em julho do ano passado, o IPCA-15 apresentou uma variação de 0,30%.

Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, cinco apresentaram elevações nos preços durante o mês de julho.

A habitação foi o setor que mais contribuiu para a alta da inflação prévia, com um aumento de 0,98%. No entanto, essa taxa foi inferior à observada em junho (1,08%). O aumento foi impulsionado principalmente pela energia elétrica residencial, que teve um acréscimo de 3,01%, configurando-se como o subitem com maior influência positiva no IPCA-15.

Esse incremento é decorrente da manutenção da bandeira tarifária vermelha patamar 1, implementada pelo governo para cobrir os custos das usinas termelétricas durante períodos críticos nos reservatórios das hidrelétricas. A cobrança adicional estabelecida foi de R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos e permaneceu ativa também em julho. Em junho, o aumento na tarifa havia sido ainda mais acentuado, atingindo 3,29%.

As altas nas tarifas foram observadas nas cidades de Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Devido à natureza nacional do IPCA-15, esses aumentos regionais influenciam diretamente o índice geral.

No que diz respeito aos alimentos — um dos principais responsáveis pela inflação nos meses anteriores — houve uma diminuição consecutiva pelo segundo mês: após um recuo de 0,02% em junho, os preços caíram novamente em julho, agora em 0,06%. Os itens que mais contribuíram para essa queda foram a batata-inglesa (-10,48%), a cebola (-9,08%) e o arroz (-2,69%).

Apesar dessas reduções recentes nos preços dos alimentos, este grupo ainda acumula um aumento significativo de 7,36% nos últimos doze meses. Um dos fatores que tem contribuído para essa desaceleração nos custos alimentares é a expectativa de uma safra recorde no Brasil.

No segmento de transportes, observou-se uma alta média de 0,67%, impulsionada principalmente pelas passagens aéreas que subiram 19,86%, gerando um impacto de 0,11 pontos percentuais. Além disso, os serviços oferecidos por aplicativos de transporte também registraram elevações significativas (14,55% e 0,03 p.p.).

Em contrapartida, os combustíveis apresentaram uma leve redução média de 0,57%. Entre os principais combustíveis usados pelos brasileiros estão o gás veicular (-1,21%), diesel (-1,09%), etanol (-0,83%) e gasolina (-0,50%). A gasolina é um dos subitens com maior peso na cesta de consumo das famílias brasileiras e sua diminuição teve um impacto negativo considerável no IPCA-15 (-0,03 p.p.).

O IPCA-15 segue uma metodologia similar ao IPCA oficial — considerado o principal indicador da inflação — que serve como base para a política governamental estabelecida em relação à meta inflacionária: uma variação anual de 3%, com uma margem tolerável de até 1,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

A principal diferença entre esses índices reside no período da coleta dos preços e na abrangência geográfica. O IPCA-15 é coletado antes do término do mês atual. Para a divulgação recente dos dados coletados ocorreu entre os dias 14 de junho e 15 de julho.

Ambos os índices consideram uma cesta diversificada de produtos e serviços destinados a famílias com rendimentos variando entre um e quarenta salários mínimos; atualmente o salário mínimo está fixado em R$1.518.

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