IPCA

Inflação de outubro tem menor alta em 27 anos e surpreende mercado

Índice oficial do IBGE sobe 0,09% em outubro, abaixo das expectativas e impulsionado por recuo nas tarifas de energia

O IPCA de outubro mostra uma desaceleração significativa, com a menor alta para o mês desde 1998, refletindo mudanças nas tarifas de energia - Imagem: Reprodução/DayCoval

Gabriela Nogueira Publicado em 12/11/2025, às 13h56

A inflação oficial do país voltou a desacelerar e registrou em outubro o menor avanço para o mês desde 1998. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu apenas 0,09%, bem abaixo do 0,48% de setembro e das projeções do mercado, que esperavam entre 0,10% e 0,16%.

Com esse resultado, a inflação acumulada em 2025 atinge 3,73%, e em 12 meses soma 4,68%. O desempenho reflete a perda de força dos preços de energia e de alguns bens de consumo, após um mês anterior pressionado por reajustes tarifários.

Energia puxa índice para baixo

O principal alívio veio da conta de luz, que caiu 2,39% em outubro. A mudança da bandeira tarifária — que passou da vermelha patamar 2 para a vermelha patamar 1 — reduziu o custo da energia residencial, revertendo o forte aumento de setembro, quando as tarifas haviam subido mais de 10% com o fim do Bônus de Itaipu.

A retração no grupo Habitação, de -0,30%, foi determinante para conter a inflação geral, acompanhada também pela queda de -0,34% nos Artigos de residência.

Vestuário mantém ritmo de alta

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, o Vestuário foi o que mais pressionou o índice, com alta de 0,51%. Apesar de moderado em relação a setembro (0,63%), o aumento reflete o aquecimento do consumo com a proximidade das festas de fim de ano e o impacto da mudança de estação no setor têxtil.

Outros grupos também registraram avanços moderados, como Despesas pessoais (0,45%) e Saúde e cuidados pessoais (0,41%), influenciados por reajustes em produtos de higiene (0,57%) e planos de saúde (0,50%).

Alimentação estabiliza após quedas anteriores

A alimentação e bebidas, item de maior peso no IPCA, praticamente não variou no mês (0,01%), interrompendo uma sequência de quedas. Dentro do grupo, a alimentação em casa recuou 0,16%, com destaque para as quedas do arroz (-2,49%) e do leite longa vida (-1,88%). Em contrapartida, batata-inglesa (8,56%) e óleo de soja (4,64%) subiram com força.

Já a alimentação fora do lar avançou 0,46%, impulsionada pelo aumento de 0,75% nos lanches e de 0,38% nas refeições.

Transportes sobem levemente com passagens aéreas

No grupo Transportes, a alta de 0,11% foi sustentada principalmente pelas passagens aéreas, que tiveram aumento expressivo de 4,48%. Os combustíveis também apresentaram variação positiva: etanol (0,85%), gás veicular (0,42%) e gasolina (0,29%), enquanto o óleo diesel caiu 0,46%.

Itens como aparelhos telefônicos (-2,54%) e seguros de veículos (-2,13%) ajudaram a conter maiores pressões no índice.

Perspectiva controlada

O resultado de outubro reforça a leitura de uma inflação sob controle, mesmo diante de oscilações pontuais em setores específicos. A queda das tarifas de energia e a estabilidade dos alimentos ajudam a aliviar o orçamento das famílias e fortalecem as expectativas de manutenção da trajetória de juros em níveis estáveis nos próximos meses.

Conta de luz energia IPCA Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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