O Dia das Crianças é a terceira data mais importante para o comércio, atrás apenas do Natal e do Dia das Mães
Gabriela Thier Publicado em 01/10/2025, às 15h02
As projeções para as vendas do Dia das Crianças, agendado para o próximo dia 12, indicam um movimento financeiro de aproximadamente R$9,96 bilhões no setor varejista. Essa cifra representa um crescimento de 1,1% em comparação ao ano anterior, quando as vendas totalizaram R$9,85 bilhões. Se a previsão se concretizar, será a melhor performance registrada nos últimos doze anos.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou esta estimativa nesta quarta-feira (1º). O montante previsto é apenas superado pelo valor alcançado em 2014, que foi de R$10,5 bilhões. Importante ressaltar que esses valores são reais, já ajustados pela inflação.
O Dia das Crianças figura como a terceira data mais relevante para o comércio brasileiro, ficando atrás apenas do Natal, que deverá movimentar R$72,8 bilhões em 2024, e do Dia das Mães, com expectativa de R$14,5 bilhões em 2025.
Conforme indicado pela CNC, o segmento que deve captar a maior parte das vendas é o de vestuário e calçados, representando cerca de 27% do total esperado. Abaixo estão as projeções por setor:
O economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, comentou que apesar da expectativa otimista para as vendas neste ano ser a mais alta em mais de uma década, o crescimento projetado de 1,1% entre 2024 e 2025 poderia ser mais expressivo se não fosse o atual cenário caracterizado por taxas de juros elevadas e inflação persistente.
"A inflação ainda não se encontra em um nível desejável e as taxas de juros estão elevadas justamente em função disso. Essa combinação explica a moderação nas vendas este ano, mesmo com um ambiente laboral favorável", avaliou Bentes.
Bentes detalhou que os altos juros tornam o crédito menos acessível e forçam os consumidores a priorizar suas escolhas financeiras: "As pessoas precisam decidir se vão parcelar um brinquedo ou quitar uma fatura do cartão de crédito. Com os juros nas alturas, muitos têm que restringir gastos em itens considerados não essenciais, prejudicando assim as vendas no comércio. O impacto é particularmente negativo para os comerciantes que dependem da venda de produtos financiados", acrescentou.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central justifica a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano como uma medida necessária para conter a inflação. A variação dos preços acumulou 5,13% nos doze meses encerrados em agosto, ultrapassando o teto da meta estabelecida em 4,5%.
Crédito elevado e inadimplência
A CNC destaca que a alta nas taxas de juros encarece o crédito ao consumidor, resultando numa taxa média de 57,65% ao ano em julho último — o maior índice registrado para esse mês desde 2017 segundo dados do Banco Central.
Além disso, a confederação ressalta que essa situação também está relacionada ao aumento da inadimplência. O percentual de famílias com dívidas em atraso atingiu 30,4%, configurando-se como o maior nível histórico desde o início da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) em 2010.
Adicionalmente ao Dia das Crianças, a CNC alerta para a tendência negativa nas vendas no comércio nacional, que registrou quatro meses consecutivos de queda conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Inflação dos produtos infantis
Um levantamento da CNC indica que a inflação dos produtos típicos desta época supera a média do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com um aumento médio de 8,5% comparado ao ano anterior.
Dentre os onze itens analisados, quatro apresentam previsão de inflação superior a dois dígitos:
Fábio Bentes explica que esse índice inflacionário já está consolidado e foi formado ao longo dos últimos onze meses. No caso específico dos chocolates, ele aponta que os preços são impactados por fatores internacionais relacionados às commodities.
"O chocolate depende do preço do cacau no mercado internacional. Sempre que há oscilações nesse tipo de commodity, refletimos isso no preço interno", explicou. "Existem inúmeras marcas disponíveis no mercado; portanto é aconselhável realizar uma pesquisa prévia antes da compra", sugeriu Bentes.
No entanto, itens fundamentais nas vendas deste período, como brinquedos (com inflação prevista de 4,1%) e roupas infantis (3,3%), devem registrar aumentos menores que o índice geral segundo as estimativas da CNC.