Banco Central indica redução dos juros na próxima reunião, porém reforça que política monetária seguirá restritiva por período prolongado
Letícia Sales Publicado em 03/02/2026, às 09h00
O Banco Central confirmou nesta terça-feira (3) que pretende iniciar o ciclo de redução da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A sinalização, no entanto, veio acompanhada de um tom cauteloso: a autoridade monetária deixou claro que os juros devem permanecer em patamar restritivo por mais tempo, diante de um cenário ainda marcado por incertezas econômicas e expectativas de inflação desancoradas.
Atualmente em 15% ao ano, o nível mais alto desde 2006, a Selic foi mantida nesse patamar na última reunião do Copom. Na ata divulgada hoje, o colegiado afirmou, de forma unânime, que a redução dos juros só será compatível com a manutenção de uma política monetária contracionista até que se consolide tanto o processo de desinflação quanto a ancoragem das expectativas em torno da meta.
Segundo o Comitê, a magnitude e a duração do ciclo de queda da Selic serão definidas gradualmente, à medida que novos dados econômicos forem incorporados às análises. O cenário atual, avalia o Copom, apresenta sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica, o que dificulta a identificação de tendências claras.
De um lado, persiste a leitura de que a inflação segue pressionada pela demanda, exigindo juros elevados por um período prolongado. De outro, o Banco Central reconhece que a política monetária já tem desempenhado papel relevante na desinflação observada nos últimos meses. Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, abaixo do teto da meta de 4,5%, mas ainda acima do centro do objetivo estabelecido.
Apesar da trajetória de queda, as expectativas de inflação continuam acima da meta em todos os horizontes analisados, o que reforça a cautela do colegiado. Para o Copom, o atual ambiente de expectativas desancoradas demanda uma restrição monetária mais intensa e duradoura do que em ciclos anteriores.
A ata também chama atenção para fatores estruturais que podem pressionar a taxa de juros neutra da economia, como o enfraquecimento do compromisso com reformas fiscais, a expansão do crédito direcionado e as incertezas em torno da estabilização da dívida pública. Segundo o Comitê, uma taxa neutra mais elevada reduz a eficácia da Selic e aumenta o custo do combate à inflação, sobretudo em termos de impacto sobre a atividade econômica.
Com isso, o Banco Central deixa claro que, embora o início do ciclo de cortes esteja no radar, o caminho para juros mais baixos será gradual e condicionado à evolução consistente do cenário inflacionário.