Mercadante sugere que aumento do IOF deve ser acompanhado por estabilização da moeda americana para permitir redução da Selic
Gabriela Thier Publicado em 26/05/2025, às 17h17
Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), expressou apoio ao recente aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) durante um evento voltado à indústria brasileira, realizado nesta segunda-feira (26). Ele respondeu a críticas de setores empresariais, enfatizando a necessidade de apresentar soluções em vez de apenas contestar as decisões governamentais.
No decorrer de seu discurso, Mercadante sugeriu que uma das alternativas para amenizar os impactos financeiros seria o aumento da tributação sobre as apostas esportivas, conhecidas popularmente como "bets". O presidente do BNDES afirmou: "O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é responsável por entregar o orçamento fiscal e deve apresentar soluções. Eu proponho publicamente que elevemos os impostos sobre as apostas, que estão prejudicando as finanças das famílias brasileiras. Essa medida poderia ajudar a minimizar o efeito do IOF e criar outras alternativas financeiras."
Após o evento, em conversa com jornalistas, Mercadante detalhou que o aumento do IOF deve ser acompanhado pela estabilização da moeda americana. Segundo ele, isso permitirá ao Banco Central realizar uma redução gradual e segura da taxa Selic, a taxa básica de juros do país.
Na quinta-feira anterior, o governo federal anunciou alterações nas alíquotas do IOF, incluindo um significativo aumento para operações de crédito empresarial, que subiu de 1,88% para 3,95% ao ano. Algumas dessas medidas foram posteriormente revistas, como o aumento da alíquota para a compra de moeda em espécie e transferências internacionais para contas de brasileiros no exterior.
Durante o mesmo evento, o ministro Haddad declarou que até o final desta semana o governo deverá definir estratégias para compensar a reversão em algumas alíquotas do IOF. "Temos um prazo até o fim da semana para decidir como iremos compensar isso, seja por meio de mais contingenciamento ou outra forma de substituição", comentou.
Em relação às preocupações sobre o aumento do custo do crédito decorrente da elevação do IOF, Haddad salientou que a alta na taxa Selic também acarreta um aumento nos custos de crédito e que os empresários compreendem essa necessidade. Ele comparou a situação atual com a gestão anterior, ressaltando que as alíquotas eram ainda mais elevadas naquele período.
"Nosso objetivo é resolver rapidamente as questões fiscais e monetárias para retornar a níveis adequados tanto em termos de tributação quanto em taxas de juros, permitindo que o país continue seu caminho de crescimento", finalizou Haddad ao deixar o evento no BNDES.