Decisão do Banco Central visa apurar responsabilidades em fraudes relacionadas ao Banco Master e proteger ativos da Reag Investimentos
Letícia Sales Publicado em 15/01/2026, às 11h22
O Banco Central decidiu liquidar extrajudicialmente a antiga Reag Investimentos, atualmente denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., instituição financeira com sede em São Paulo e citada em investigações sobre fraudes relacionadas ao Banco Master. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (15).
Segundo o BC, a decisão foi motivada por graves infrações às normas que regulam o funcionamento das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Em nota, a autoridade monetária afirmou que seguirá adotando todas as medidas legais para apurar responsabilidades no caso.
A liquidação ocorre um dia após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra a empresa e seu fundador e ex-CEO, João Carlos Mansur, no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero. As investigações apuram a atuação de fundos considerados fraudulentos, que teriam sido utilizados para movimentar recursos de forma irregular.
Com a decretação da liquidação extrajudicial, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficam indisponíveis, impedindo sua venda ou transferência. A medida, prevista em lei, tem como objetivo evitar a dilapidação do patrimônio enquanto as investigações avançam.
O Banco Central destacou que a Reag se enquadra no segmento S4 do sistema financeiro, classificação atribuída a instituições de pequeno porte, que representam menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN. Por esse motivo, o impacto sistêmico é considerado baixo e a regulação aplicada é mais simplificada do que a de grandes bancos.
A empresa atuava principalmente como administradora de cerca de 90 fundos de investimento. Apesar da liquidação da gestora, esses fundos continuam existindo e deverão contratar novas instituições para administrar os recursos dos cotistas.
De acordo com as apurações, o suposto esquema envolvia uma ciranda financeira entre fundos, com depósitos e retiradas sucessivas destinadas a ocultar os beneficiários finais do dinheiro. As suspeitas indicam que os valores desviados podem ultrapassar R$ 11 bilhões, com recursos direcionados ao patrimônio pessoal de envolvidos, entre eles Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de familiares.
Inicialmente conduzido na primeira instância da Justiça Federal, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal diante de indícios de participação de pessoas com foro privilegiado. O relator é o ministro Dias Toffoli, que autorizou as diligências mais recentes. O magistrado, no entanto, passou a ser questionado após vir à tona uma viagem em avião particular com um advogado ligado ao caso, realizada dias antes da decretação de sigilo do processo.
Paralelamente, o Tribunal de Contas da União acompanha o episódio e avalia a possibilidade de realizar uma inspeção para analisar os procedimentos que levaram o Banco Central a liquidar o Banco Master.