A safra 2024-25 totaliza 350,2 milhões de toneladas, com destaque para soja e milho, segundo a Conab
Gabriela Nogueira Publicado em 11/09/2025, às 17h35
A produção de grãos no Brasil alcançou um novo recorde, totalizando 350,2 milhões de toneladas na safra 2024-25. Este número representa um aumento significativo de 16,3% em relação à safra anterior, 2023/24, quando foram colhidas 324,36 milhões de toneladas.
O 12º Levantamento da Safra de Grãos, publicado nesta quinta-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), destaca que esse crescimento foi principalmente impulsionado pelos cultivos de soja, milho, arroz e algodão, que somaram 47 milhões das 49,1 milhões de toneladas adicionais colhidas nesta nova safra em comparação à anterior.
Segundo o boletim da Conab, a expansão da área plantada em 1,9 milhão de hectares foi um dos fatores-chave para esse crescimento, aumentando a área cultivada de 79,9 milhões para 81,7 milhões de hectares. Além disso, as condições climáticas favoráveis no Centro-Oeste do país, especialmente no estado do Mato Grosso, contribuíram para esses resultados positivos.
A companhia também informou que o clima propício resultou em uma recuperação da produtividade média nacional das lavouras em 13,7%, estimada agora em 4.284 quilos por hectare, em contraste com os 3.769 kg/ha da safra anterior.
Soja
A soja se destacou como o produto mais cultivado na atual safra, apresentando uma produção recorde estimada em 171,5 milhões de toneladas. Este valor reflete um incremento de 20,2 milhões de toneladas em relação à safra passada.
A Conab atribui esse resultado histórico ao aumento da área plantada e à melhoria na produtividade média das lavouras. Com condições climáticas mais favoráveis em diversas regiões produtoras comparadas ao ciclo anterior, a produtividade média atingiu o patamar de 3.621 kg/ha, o maior já registrado.
O estado de Goiás obteve a maior produtividade nesta safra, com 4.183 kg/ha. Em contrapartida, o Rio Grande do Sul apresentou a menor produtividade, com apenas 2.342 kg/ha, devido a altas temperaturas e irregularidades nas chuvas entre dezembro e fevereiro.
Milho e Algodão
O milho também teve um desempenho notável, alcançando uma produtividade estimada em 6.391 quilos por hectare. A produção total esperada é de 139,7 milhões de toneladas na safra atual, representando um crescimento de 20,9% em relação ao ano anterior e estabelecendo um novo recorde para a cultura.
A primeira safra deve produzir aproximadamente 24,9 milhões de toneladas (um aumento de 8,6%), enquanto a segunda safra apresenta expectativas otimistas com previsão de crescimento de 24,4%, totalizando cerca de 112 milhões de toneladas. A terceira safra ainda está em desenvolvimento e estima-se uma produção de aproximadamente 2,7 milhões de toneladas.
Quanto ao algodão, espera-se também um recorde na produção com 4,1 milhões de toneladas – um aumento de 9,7% em relação à safra anterior – consequência do aumento da área plantada e das condições climáticas favoráveis.
A Conab informa que até o final de agosto já havia sido colhida 72,8% da área plantada e que 27,2% estava em maturação.
Arroz e Feijão
No que diz respeito ao arroz, a colheita totalizou 12,8 milhões de toneladas produzidas – um crescimento expressivo de 20,6% sobre a safra anterior. Este é o quarto maior volume já registrado na história da cultura brasileira.
Esse aumento é atribuído à expansão da área semeada (9,8%) e às boas condições climáticas observadas principalmente no Rio Grande do Sul.
A produção das três safras de feijão é estimada em cerca de 3,1 milhões de toneladas suficiente para garantir o abastecimento interno do país.
Culturas de Inverno
No setor das culturas de inverno, o trigo se destacou apesar da redução na área cultivada em 19,9%, totalizando apenas 2,4 milhões de hectares. Em termos produtivos, a expectativa é que ocorra uma recuperação com produtividade projetada para atingir os 3.077 kg/ha neste ciclo.
Entretanto, a produção total deve ser estimada em torno de 7,5 milhões de toneladas nesta safra – uma queda de 4,5% quando comparado ao ano anterior.