Atropelado e arrastado por um carro desgovernado, quando trabalhava em um posto de combustível em Ribeirão Preto (SP), há nove anos, o ex-frentista Carlos

Redação Publicado em 03/10/2017, às 00h00 - Atualizado às 16h49
Atropelado e arrastado por um carro desgovernado, quando trabalhava em um posto de combustível em Ribeirão Preto (SP), há nove anos, o ex-frentista Carlos Pereira da Silva diz que perdoou o motorista do veículo, Caio Meneghetti Fleury Lombard, que estava embriagado.
“Eu perdoei, não tenho raiva do Caio, mesmo porque Deus me deu a vida de volta. Estou bem de saúde, não tenho mais nada o que questionar. Não tenho raiva dele, não. Sequela que ficou é só a cicatriz onde queimou, mas quebrado, graças a Deus não tem nada”, afirma.
A declaração ocorreu no Fórum de Ribeirão, onde Lombard está sendo julgado nesta terça-feira (3) por dupla tentativa de homicídio. Além de atropelar Silva, o motorista, na época com 19 anos, também arrancou uma das bombas e atingiu um cliente que abastecia o carro.
“É triste, a gente lembra de todo o passado, do sofrimento que a gente passou. Bom é nem lembrar. Toda vez que a gente lembra, é triste”, diz o ex-frentista. “Quem sou eu para fazer julgamento. Quem tem que julgar é a Justiça. Não sou ninguém para julgar o próximo”, completa.

O ex-frentista Carlos Pereira da Silva foi atropelado em posto de combustível em Ribeirão Preto (Foto: Reprodução/EPTV)
Lombardi também é julgado por tráfico de drogas porque dentro do carro que ele dirigia foram encontrados frascos de lança perfume. Apesar da afirmação da vítima, o promotor Marcus Túlio Nicolino espera que o motorista seja condenado pelas acusações.
“A gente não julga uma pessoa pelo que ela fez antes, nem pelo que ela fez depois, a gente julga pelo que ela fez no dia e naquele dia ele cometeu um ato muito grave, ele praticou uma dupla tentativa de homicídio e poderia até ter causado a morte de muitas pessoas”, afirma.
Nicolino destaca que o ex-frentista sofreu ferimentos de natureza gravíssima devido ao atropelamento. Além do traumatismo craniano, Silva perdeu o olfato e fraturou o maxilar. Ele permaneceu internado no Hospital das Clínicas por 20 dias em estado grave.
“Nós entendemos que uma pessoa que age como o Caio agiu deve ser responsabilizada, até para que outras pessoas, outros condutores não se sintam animados a fazer aquilo que ele fez”, afirma o promotor.

Caio Meneghetti Fleury Lombard é acusado de dupla tentativa de homicídio (Foto: Reprodução/EPTV)
O júri teve início por volta de 10h. Cinco homens e duas mulheres foram sorteados para formar o corpo de jurados. Entre as 12 testemunhas arroladas no processo, apenas oito devem depor perante a juíza Isabel Cristina Alonso Bezerra dos Santos.
Silva e o motorista Luis Carlos Dias, que também foi atingido pelo réu, estão entre sete as testemunhas de acusação. Já entre as cinco testemunhas de defesa, apenas uma deve comparecer ao plenário – as demais foram ouvidas por carta precatória.
Na chegada ao Fórum, Lombard afirmou que só vai se pronunciar ao final do julgamento. O advogado Júlio Mossin, que o acompanhava, também não se manifestou sobre o caso.

O motorista Luis Carlos Dias também foi atingido pelo veículo do réu (Foto: Reprodução/EPTV)
Em 11 de fevereiro de 2008, Lombard, então estudante de direito, com 19 anos, invadiu um posto na Avenida Independência, derrubou uma bomba de combustível e atingiu Silva, além de Dias, que abastecia o carro no local. Imagens de câmeras de segurança flagraram toda a ação.
Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que o estudante estava embriagado. No carro dele foram encontrados frascos de lança-perfume. De acordo com a acusação, Lombard teria tentado fugir do local com a vítima presa embaixo do veículo.
Em depoimento à polícia, Lombard afirmou que na manhã daquela data havia ido a uma universidade para realizar a matrícula e foi surpreendido por um grupo de veteranos que aplicava um trote nos calouros.
O réu contou que foi levado para avenidas da cidade para pedir dinheiro aos motoristas e obrigado a ingerir bebida alcoólica durante todo o dia. À noite, Lombard teria retornado à universidade para levar três veteranos para a casa deles.
Por causa do excesso de bebida, o então estudante alegou que se sentiu mal e que perdeu a consciência na direção. Ele só percebeu o que tinha acontecido quando já estava dentro do posto de gasolina.
Lombard chegou a ficar preso preventivamente por oito meses em Franca (SP), mas conseguiu um habeas corpus para responder ao processo em liberdade. O réu atualmente trabalha no setor da construção civil e vive fora de Ribeirão.
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