O Banco Central não espera a ocorrência de uma "segunda onda" da pandemia do novo coronavírus no país, disse hoje o diretor de Política Econômica do Banco

Redação Publicado em 13/08/2020, às 00h00 - Atualizado às 21h19
O Banco Central não espera a ocorrência de uma “segunda onda” da pandemia do novo coronavírus no país, disse hoje o diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, em seminário virtual promovido pela Associação de Bancos no Estado do Rio de Janeiro (Aberj). 

“Em nosso cenário básico não há uma segunda onda do vírus, que é a grande ameaça atual nos países desenvolvidos. Quando parecia que a pandemia já tinha acabado, veio a reabertura e as medidas de isolamento voltaram. Esse é o grande assunto hoje nos Estados Unidos e na Europa. O nosso cenário, aqui, é de que as coisas voltem sem uma nova onda.”
Para Kanczuk, apesar dessa perspectiva, a instituição analisa cenários alternativos, baseado no que vem ocorrendo em outros países. O diretor disse que se houver uma segunda onda, serão tomadas outras medidas com relação à economia, como uma nova expansão de crédito.
“Nosso papel é atuar. A gente tem certeza de que, dependendo do caminho, se acontecer uma segunda onda, vamos com tudo de novo. Estamos prontos para atuar mais uma vez e fazer medidas de expansão de crédito novo. Mas é um pouco mais reativo do que pró ativo. Esse é o nosso papel. É assim que a gente vê a nossa atuação”, disse ele.
Sobre a recuperação da economia, Kanczuk afirmou que existem várias indicações, podendo se dar no formato de V (swoosh), em que após uma queda profunda começa a recuperação no mesmo ritmo em que caiu. Há também a representação em U, quando a volta não é tão rápida e ainda em W, em que são duas quedas com duas retomadas.
O diretor destacou que, em crises econômicas, o sistema bancário precisa dar respostas e se refazer, como nos Estados Unidos, mas disse que aqui a situação pode ser diferente nesse sentido, porque o sistema bancário brasileiro é sólido e respondeu bem nas crises econômicas de 2008 e 2009.
“Nos Estados Unidos, o sistema bancário vai ter que se refazer, não vai ser algo rápido, lá tem todo um estudo de como crises financeiras mais se parecem com um U do que um V”, disse.
No caso do Brasil, o diretor acredita que a economia pode voltar em uma velocidade do U. Ele afastou a possibilidade de ser como um V, com a recuperação mais rápida, porque há setores que não conseguem retomar, devido ao isolamento social. Na falta de uma letra, aparece o símbolo usado pelos economistas, o swoosh. “Parece o símbolo da Nike, mas é um pouco diferente. É alguma coisa assim. Volta, não é um U, mas começa a perder um pouco de força, porque alguns setores não conseguem voltar.”
Neste período de pandemia, segundo Kanczuk, as compras pela internet e o movimento dos que receberam renda de programas do governo favoreceram setores do varejo e da indústria. Mas outros setores não conseguiram dar resposta rápida, como os de serviços prestados a famílias, de cabeleireiro e limpeza, por exemplo. “Esses não retornam com a mesma força e ficam meio em função da pandemia, de quando isso vai se encerrar”.
Para Kanczuk, dados como o da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), têm mostrado isso. “Não teve surpresa nenhuma. Foi mais ou menos o que todo mundo esperava”.
Em sua apresentação, o diretor disse que a autonomia do Banco Central atrai mais os investidores externos que conhecem pouco o Brasil. “A minha impressão é de que o brasileiro não vê diferença, mas um cara que conhece bem menos de Brasil, e quer saber onde vai colocar o dinheiro, olha o país e vê que tem banco central independente, que é uma coisa de instituição correta”, afirmou.
Ele disse ainda que a Aberj se apresenta como a antiga entidade de classe representante do sistema financeiro, fundada pelos banco, e que o principal objetivo é o aprimoramento técnico. “Responsabilidade que margeia sua personalidade socioeconômica, política e cultural.”
Agência Brasil
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