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Crime Organizado

Operação investiga uso de motéis e rede de combustíveis em esquema ligado ao PCC

Polícia aponta movimentação de R$ 450 milhões entre 2020 e 2024, com distribuição de R$ 45 milhões em lucros

Receita Federal investiga motéis ligados ao PCC em SP - Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Receita Federal investiga motéis ligados ao PCC em SP - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 25/09/2025, às 16h23


A Receita Federal, em conjunto com o Ministério Público, revelou um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), envolvendo aproximadamente 60 motéis registrados em nomes de laranjas. Segundo informações divulgadas, esses estabelecimentos geraram uma movimentação financeira superior a R$ 450 milhões entre os anos de 2020 e 2024.

Intitulada Operação Spare, a ação realizada na última quinta-feira (25) investiga as conexões da facção criminosa nos setores de combustíveis e jogos de azar. A análise da Receita Federal indica que os lucros obtidos pelos motéis contribuíram significativamente para o aumento do patrimônio dos sócios ligados ao crime organizado, com uma distribuição total de R$ 45 milhões em lucros e dividendos.

Um dos motéis sob investigação destacou-se por distribuir 64% de sua receita bruta declarada. Além disso, restaurantes associados a esses motéis, operando com CNPJs próprios, também foram integrados ao esquema; um desses estabelecimentos reportou um lucro de R$ 1,7 milhão após registrar uma receita de R$ 6,8 milhões entre 2022 e 2023.

O empresário Flávio Silvério Siqueira, conhecido como Flavinho, é apontado como o principal responsável pelo esquema de venda de combustíveis adulterados. Flávio já é alvo de investigações por suspeitas de lavagem de dinheiro através de postos de combustíveis e possui ligações com diversos indivíduos associados à operação.

A Operação Spare executou 25 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo (19 mandados), Santo André (2 mandados), Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco. O Ministério Público detalhou os alvos da operação, destacando as funções que cada um desempenhava no esquema.

Entre os principais alvos estão:

  • Flávio Silvério: considerado o principal beneficiário do esquema;
  • Sharon Nogueira: esposa de Flávio, atuando como beneficiária e tendo seu nome associado a várias empresas;
  • Leonardo Silvério Siqueira: não há informações concretas sobre sua participação;
  • Maurício Soares de Oliveira: ligado a uma rede de perfumaria sob investigação;
  • Eduardo Silvério Siqueira: teria justificado seu aumento patrimonial com um suposto empréstimo;
  • Adriana Siqueira de Oliveira: responsável por empresa usada para compra de combustíveis;
  • Gilberto Lauriano Júnior: contador associado às atividades da organização criminosa.

A defesa dos mencionados não foi localizada até o momento da publicação desta matéria.

A Receita Federal também identificou uma empresa criada para investimentos que operava como um "buraco negro" para lavagem de dinheiro. Os investigadores notaram irregularidades significativas nas declarações fiscais dessa empresa.

A atuação do PCC não se restringe apenas aos motéis; a organização também opera com lojas de franquias e projetos na construção civil. As operações financeiras associadas aos motéis revelaram um padrão alarmante: enquanto movimentaram cerca de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2024, emitiram apenas R$ 550 milhões em notas fiscais, além de recolherem apenas R$ 25 milhões em tributos federais nesse mesmo período.

A Operação Spare é uma continuidade da Operação Carbono Oculto, que expôs atividades ilícitas do PCC dentro do sistema financeiro. A Receita Federal informou que foram encontrados vínculos entre os alvos da operação atual e indivíduos envolvidos em investigações anteriores contra o crime organizado.

A Receita segue firme no combate à sonegação fiscal e à utilização indevida do sistema econômico por parte do crime organizado, visando proteger a economia nacional e assegurar a regularidade das importações no setor petrolífero.


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