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Brasil deixa EUA de fora de fórum sobre democracia em Nova York

Segundo o governo brasileiro, as ações adotadas pelos EUA durante a gestão Donald Trump são incompatíveis com a proposta do fórum

Lula embarca neste domingo (21) para Nova York, onde abrirá os discursos da Assembleia Geral da ONU na terça-feira (23) - Imagem: Reuters/Adriano Machado/File Photo
Lula embarca neste domingo (21) para Nova York, onde abrirá os discursos da Assembleia Geral da ONU na terça-feira (23) - Imagem: Reuters/Adriano Machado/File Photo

Redação Publicado em 20/09/2025, às 17h45


O Brasil decidiu não convidar os Estados Unidos para a segunda edição do encontro “Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo”, que será realizado na próxima quarta-feira (24), em Nova York, paralelamente à Assembleia Geral da ONU. A decisão ocorre em meio ao aumento das tensões entre os dois países após a aplicação de sanções por Washington.

O evento é organizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em parceria com os presidentes Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai), e deve reunir representantes de cerca de 30 nações. Na edição anterior, realizada em 2023, os EUA — então sob governo de Joe Biden — participaram por meio de um enviado do Departamento de Estado.

Segundo o governo brasileiro, as ações adotadas pelos EUA durante a gestão Donald Trump são incompatíveis com a proposta do fórum, que tem como objetivo fortalecer a defesa das instituições democráticas e combater o extremismo. A avaliação é de que a presença americana seria incoerente, sobretudo diante das críticas recentes de Washington ao sistema eleitoral e ao Judiciário do Brasil.

As relações se deterioraram ainda mais após declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, que anunciou novas sanções contra o país depois da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe. Durante o governo Trump, já haviam sido aplicadas sobretaxas de 50% a produtos brasileiros, além do cancelamento de vistos e da inclusão do ministro Alexandre de Moraes (STF) na lista de sanções da chamada Lei Magnitsky.

Lula embarca neste domingo (21) para Nova York, onde abrirá os discursos da Assembleia Geral da ONU na terça-feira (23). O fórum, marcado para o dia seguinte, pretende reforçar a cooperação internacional no enfrentamento à desinformação, ao discurso de ódio, ao extremismo político e às desigualdades sociais.


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