Campanha começa na segunda-feira (9) em todos os municípios paulistas e usa a Butantan-DV, vacina inédita desenvolvida no Brasil e aprovada pela Anvisa

Redação Publicado em 06/02/2026, às 10h25
São Paulo inicia na próxima segunda-feira (9) a vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, a primeira vacina do mundo aplicada em dose única, visando proteger profissionais da Atenção Primária à Saúde em 645 municípios.
A Butantan-DV, aprovada para pessoas de 12 a 59 anos, demonstrou eficácia de 75% contra casos gerais e 100% contra hospitalizações, com 99 mil doses enviadas pelo Programa Nacional de Imunizações para imunizar cerca de 216 mil profissionais.
A estratégia de vacinação foi definida em conjunto com autoridades de saúde e busca fortalecer a resposta ao avanço da dengue, que já registrou 4.647 casos em 2026, após um ano anterior com quase 883 mil casos confirmados.
O estado de São Paulo inicia, na próxima segunda-feira (9), a campanha de vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan e considerado um marco no combate à doença. A ação acontece simultaneamente nos 645 municípios paulistas e, nesta primeira etapa, será direcionada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde da rede municipal.
A Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue do mundo aplicada em dose única, com proteção contra os quatro sorotipos do vírus. O imunizante foi aprovado pela Anvisa para pessoas de 12 a 59 anos e apresentou, nos estudos clínicos, eficácia de cerca de 75% contra casos gerais da doença, mais de 91% contra formas graves e 100% contra hospitalizações.
Para o início da campanha, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) enviou 99 mil doses ao estado. A expectativa é imunizar aproximadamente 216 mil profissionais da atenção básica, incluindo médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
A decisão de começar pelos profissionais de saúde foi articulada entre os Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVEs), o Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems-SP) e o Ministério da Saúde. Segundo o governo estadual, a estratégia busca proteger quem está na linha de frente do atendimento e fortalecer a capacidade de resposta do sistema público diante do avanço da doença.
Os números reforçam a urgência da ação. Até o dia 5 de fevereiro, São Paulo já havia registrado 4.647 casos de dengue e um óbito em 2026. No ano passado, o estado acumulou 882.884 casos confirmados e 1.124 mortes. O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que se prolifera principalmente em áreas urbanas.
A distribuição das doses está sendo coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde, com envio aos municípios conforme critérios técnicos e a capacidade operacional de cada região. De acordo com o governo, a tecnologia da Butantan-DV representa um avanço ao permitir uma imunização mais rápida, reduzir custos e simplificar a logística, já que elimina a necessidade de uma segunda dose.
A vacinação começou de forma piloto em Botucatu, cidade escolhida pela estrutura da rede de saúde, pela experiência em campanhas de grande porte e pela circulação recente do sorotipo DENV-3. A iniciativa faz parte da estratégia nacional de imunização e será acompanhada por monitoramento técnico e científico.
Produzida em São Paulo, a vacina é resultado de anos de pesquisa e inovação. Os estudos apontaram segurança tanto para pessoas que já tiveram dengue quanto para aquelas sem infecção prévia. As reações mais comuns foram leves ou moderadas, como dor no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos graves foram considerados raros.
O Instituto Butantan também iniciou o recrutamento de voluntários entre 60 e 79 anos para novos ensaios clínicos, com o objetivo de ampliar o público autorizado a receber a vacina no futuro.
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