Países vizinhos reforçam protocolos em aeroportos após confirmação de casos do vírus, considerado um dos mais letais monitorados pela OMS

Gabriela Nogueira Publicado em 27/01/2026, às 13h36
Um novo surto do vírus Nipah na Índia voltou a acender o sinal de alerta em países asiáticos e levou autoridades de saúde a reforçarem medidas de vigilância, especialmente em aeroportos com voos internacionais. O patógeno, identificado pela primeira vez em 1999, é conhecido pelo alto índice de letalidade e pelo potencial de causar epidemias.
No início de janeiro, ao menos dois profissionais de saúde foram diagnosticados com a infecção após contato com casos confirmados no Estado de Bengala Ocidental. Como medida preventiva, cerca de 110 pessoas passaram a cumprir quarentena, mesmo após testarem negativo nos primeiros exames.
A confirmação do surto teve impacto imediato em países da região. A Tailândia anunciou o endurecimento dos protocolos sanitários em três de seus principais aeroportos internacionais: Don Mueang, Suvarnabhumi e Phuket. As ações incluem triagem de passageiros, intensificação da limpeza em áreas comuns e coordenação direta com equipes de controle de doenças transmissíveis.
Em Suvarnabhumi, maior terminal do país, centenas de viajantes provenientes da Índia passaram por avaliação médica. Nenhum caso suspeito foi identificado até o momento, e as autoridades locais afirmam que não há registros de infecção por Nipah no território tailandês.
O vírus Nipah integra a lista de doenças prioritárias da Organização Mundial da Saúde (OMS), ao lado de patógenos como Ebola e Zika. A classificação se deve à combinação de alta taxa de mortalidade, capacidade de transmissão entre humanos e ausência de vacina ou tratamento específico.
A infecção pode provocar desde sintomas leves até quadros graves, como insuficiência respiratória e encefalite, uma inflamação do cérebro que pode evoluir rapidamente. Febre, dor de cabeça, dores musculares e vômitos costumam ser os primeiros sinais, seguidos, em alguns casos, por confusão mental, convulsões e coma.
A transmissão ocorre principalmente por contato com animais infectados, como morcegos frugívoros e porcos, além da ingestão de alimentos contaminados. Também há registro de contágio direto entre pessoas, o que amplia o risco de disseminação em áreas densamente povoadas.
Historicamente, Bangladesh e Índia concentram a maior parte dos surtos registrados. O episódio inicial, na Malásia, resultou em mais de cem mortes e no abate em massa de rebanhos suínos. Desde então, novos casos vêm sendo detectados de forma recorrente no sul e no sudeste asiático.
Sem vacina disponível, o controle do Nipah depende de diagnóstico rápido, isolamento de contatos e vigilância sanitária rigorosa. Autoridades de saúde reforçam que a resposta precoce é decisiva para conter a propagação e evitar consequências mais amplas.
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