Diretrizes orientam combinar medicamento com alimentação equilibrada e atividade física para tratar obesidade

Gabriela Nogueira Publicado em 01/12/2025, às 18h00
A OMS publicou nesta segunda-feira novas diretrizes que tratam do uso de medicamentos da classe GLP-1, hoje conhecidos por sua eficácia tanto no tratamento da obesidade quanto no controle da diabetes tipo 2. A recomendação, divulgada em meio ao avanço global da obesidade, representa a primeira orientação formal da agência sobre o tema.
Mais de um bilhão de pessoas convivem com a obesidade no mundo, um número que continua a crescer e pressiona sistemas de saúde de todas as regiões. A OMS reconhece nesse cenário a urgência de tratamentos eficazes e acessíveis, e aponta os medicamentos GLP-1 — como Ozempic, Wegovy e Mounjaro — como ferramentas que podem contribuir significativamente no manejo clínico da doença.
Esses remédios imitam a ação de um hormônio natural que regula a liberação de insulina e estimula a saciedade. Ao influenciar áreas do cérebro ligadas ao apetite, ajudam na redução do peso corporal. Nas novas diretrizes, a OMS recomenda o uso contínuo desses medicamentos por adultos, com exceção de gestantes, observando que a interrupção do tratamento costuma resultar em ganho de peso.
Apesar da eficácia reconhecida, a organização ressalta que os dados sobre uso prolongado ainda são limitados. Por isso, reforça a necessidade de monitoramento constante e de mais estudos sobre segurança a longo prazo. A entidade também alerta para um ponto central: a medicação sozinha não será suficiente para reverter a curva crescente da obesidade, associada a doenças como diabetes, hipertensão, problemas cardíacos e alguns tipos de câncer.
A OMS defende que os tratamentos com GLP-1 devem caminhar ao lado de mudanças de estilo de vida. A recomendação inclui uma alimentação nutritiva, prática regular de atividade física e políticas públicas capazes de criar ambientes que favoreçam escolhas mais saudáveis. Para a agência, sem essas medidas estruturais, o impacto dos medicamentos será limitado.
Jeremy Farrar, subdiretor-geral responsável pela área de promoção da saúde, ressaltou que não existe solução única para um problema tão complexo. Ele reconheceu, porém, que os GLP-1 tendem a se tornar peças importantes em uma abordagem integrada de combate à obesidade. Já Francesca Celletti, assessora da OMS sobre o tema, destacou que há potencial real para alterar a trajetória da doença caso o acesso às terapias seja ampliado.
Esse acesso, no entanto, é um desafio. O alto custo dos medicamentos e a dificuldade de compra em países de baixa e média renda preocupam especialistas e autoridades. A escassez já afeta pessoas com diabetes que dependem dos remédios originalmente desenvolvidos para essa condição. Para enfrentar esse cenário, a OMS incluiu a classe GLP-1 na lista de medicamentos essenciais e defendeu a produção de versões genéricas mais acessíveis.
O debate sobre o uso desses medicamentos ganhou força nos últimos anos e deve seguir no centro das discussões de saúde pública enquanto a obesidade continua a se expandir globalmente. As novas diretrizes, segundo a OMS, marcam apenas o início de uma estratégia mais ampla para enfrentar a crise mundial de peso e reduzir o impacto econômico, estimado em três trilhões de dólares por ano até o fim da década.
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