Diário de São Paulo
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Alta nos casos de pancreatite intensifica preocupação com uso de canetas emagrecedoras no Brasil

Com seis mortes sob investigação, Anvisa reforça alerta para uso responsável e prescrição rigorosa dos medicamentos

Uso das canetas seguem em alta demanda, enquanto autoridades reforçam cautela - Imagem: Reprodução
Uso das canetas seguem em alta demanda, enquanto autoridades reforçam cautela - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 08/02/2026, às 16h53


A popularização das chamadas canetas emagrecedoras colocou em evidência um risco já conhecido, mas agora analisado com mais atenção por autoridades sanitárias em diversos países. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contabiliza seis mortes sob investigação e 225 notificações de pancreatite potencialmente associadas ao uso de medicamentos dessa classe, desde 2018.

Os dados foram registrados no VigiMed, o sistema oficial de monitoramento de eventos adversos, e incluem relatos de pacientes tanto no uso comercial quanto em pesquisas clínicas realizadas no país. Os casos ocorreram em moradores de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal.

A febre do Mounjaro

A preocupação brasileira acompanha um movimento global. Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia já reconhecem a inflamação do pâncreas como possível reação adversa dos agonistas de GLP-1, categoria que reúne substâncias como semaglutida, liraglutida, dulaglutida, lixisenatida e tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. No Reino Unido, 19 óbitos de usuários desses medicamentos foram notificados.

Apesar de os números despertarem preocupação, especialistas afirmam que as notificações não são motivo para interromper o uso das canetas emagrecedoras. Endocrinologistas e gastroenterologistas reforçam que a pancreatite é uma doença já previsto nas bulas, e que a orientação médica continua sendo o principal elemento de segurança. Para esses profissionais, o maior risco está no uso inadequado, especialmente quando feito sem acompanhamento qualificado.

O Mounjaro, em particular, descreve em seu documento oficial a pancreatite aguda como reação adversa rara, mas possível. O tema ganhou ainda mais amplitude diante da estimativa de que o mercado ilegal de canetas emagrecedoras movimenta cerca de R$ 600 milhões por ano, favorecendo o consumo sem orientação especializada.

A crescente demanda pelos medicamentos e a preocupação com relatos de efeitos adversos levaram a Anvisa, em abril do ano passado, a tornar obrigatória a retenção da receita médica para a compra das canetas. A medida tem o objetivo de garantir que cada paciente seja avaliado com rigor, especialmente no diagnóstico de fatores que possam aumentar o risco de complicações.

O que é a pancreatite?

A pancreatite é caracterizada pela inflamação do pâncreas e pode se manifestar de forma súbita (aguda) ou persistente ao longo dos anos (crônica). Entre os principais sintomas estão dor abdominal intensa, náuseas, vômitos, febre, inchaço abdominal, icterícia e mal-estar generalizado. Diante de qualquer suspeita, médicos recomendam buscar atendimento imediato, preferencialmente com um gastroenterologista ou clínico geral.

Enquanto as investigações sobre as mortes continuam, autoridades reforçam a mesma mensagem: o uso dos agonistas de GLP-1 pode ser seguro e eficaz, desde que integrado a um plano médico supervisionado e longe do mercado clandestino, onde os riscos se multiplicam e o controle simplesmente não existe.


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