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Escorpiões

Em Rio Preto, 34% das mortes por escorpião envolvem crianças

A maior cidade do Noroeste paulista convive com um vilão que mata com uma única picada

Em Rio Preto, 34% das mortes por escorpião envolvem crianças - Imagem: Reprodução
Em Rio Preto, 34% das mortes por escorpião envolvem crianças - Imagem: Reprodução

Jair Viana Publicado em 24/12/2025, às 19h12


Enquanto o Brasil enfrenta uma escalada alarmante nos acidentes com escorpiões, São José do Rio Preto, no interior paulista, apresenta um cenário que mistura avanço e alerta. Embora o município tenha registrado queda expressiva no número total de casos em 2025, os escorpiões seguem como protagonistas negativos das estatísticas, mantendo-se como uma ameaça cotidiana à população.

O panorama nacional é preocupante. Em 2023, o Brasil registrou um acidente com escorpião a cada três minutos, somando 202.714 casos e 131 mortes — um aumento superior a 40% nos óbitos em relação ao ano anterior. Crianças de até 9 anos concentraram 34% das mortes, evidenciando a vulnerabilidade desse grupo.

Em Rio Preto, os dados até outubro de 2025 indicam redução superior a 50% nos acidentes com animais peçonhentos, que caíram de 1.709 registros em 2023 para 843 neste ano. Ainda assim, os escorpiões continuam dominando os números: foram 738 ocorrências, o equivalente a 87,55% de todos os casos registrados no período.

Principais números

– Casos com escorpiões
Brasil (2023): 202.714
Rio Preto (até out/2025): 738

– Óbitos por escorpiões
Brasil (2023): 131
Rio Preto (até out/2025): dado não divulgado

– Outros animais peçonhentos em Rio Preto (até out/2025)
Aranhas: 37 casos
Abelhas: 29 casos
Serpentes: 5 casos

Perfil das vítimas e áreas de risco

Em Rio Preto, os acidentes seguem um padrão conhecido. Adultos jovens concentram a maior parte das notificações — em 2022, a faixa entre 20 e 34 anos respondeu por 23% dos casos. No entanto, as crianças, mesmo em menor número absoluto, são as mais vulneráveis às formas graves e fatais. No mesmo ano, 68 crianças de 0 a 4 anos foram picadas no município.

A maioria dos registros é classificada como leve. Em 2022, das 1.442 notificações, 1.359 foram leves, 61 moderadas e apenas 13 graves. A única morte registrada naquele ano foi causada por picada de cobra, em um idoso.

Embora os boletins mais recentes não detalhem os bairros mais afetados, dados da Secretaria Estadual de Saúde indicam que a região de São José do Rio Preto, junto com Araçatuba, Campinas, Piracicaba e Ribeirão Preto, concentrou 48% de todos os casos de escorpionismo no Estado de São Paulo em 2024, mostrando que o problema é regional e persistente.

Problema urbano e prevenção

A redução dos casos em 2025 é atribuída a dois fatores principais: maior conscientização da população e um período mais seco, que diminuiu a migração dos escorpiões das redes de esgoto para dentro das residências. O dado reforça que o escorpionismo é um problema essencialmente urbano, associado ao acúmulo de lixo, entulho e à proliferação de baratas, principal alimento do animal.

As medidas de prevenção incluem a instalação de telas em ralos, vedação de frestas, manutenção de quintais limpos e eliminação de materiais acumulados. Em caso de picada, a orientação é clara: procurar atendimento médico imediatamente. Não se recomenda capturar o animal nem aplicar substâncias caseiras. Lavar o local com água e sabão e procurar uma unidade de saúde pode ser decisivo para salvar vidas.


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