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OMS

Brasil conquista certificado de país livre da elefantíase

O reconhecimento veio por meio de um certificado entregue pela OMS

O reconhecimento veio por meio de um certificado entregue pela OMS - Imagem: Reprodução / Fabio Rodrigues- Pozzebom / Agência Brasil
O reconhecimento veio por meio de um certificado entregue pela OMS - Imagem: Reprodução / Fabio Rodrigues- Pozzebom / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 11/11/2024, às 19h12


O Brasil foi oficialmente reconhecido como livre da filariose linfática, também conhecida como elefantíase, conforme anúncio realizado nesta segunda-feira (11). O reconhecimento veio por meio de um certificado entregue pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em uma cerimônia realizada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), localizada em Brasília.

Jarbas Barbosa, diretor da Opas, destacou a complexidade do processo de eliminação de doenças, especialmente devido à interconexão com questões de pobreza. Segundo Barbosa, as populações mais vulneráveis são frequentemente as mais afetadas, resultando em um ciclo vicioso onde a doença não só diminui a produtividade como aumenta os gastos familiares com saúde e reabilitação.

Barbosa enfatizou que a erradicação de doenças passíveis de eliminação deve ser considerada uma prioridade estratégica, tratando-se não apenas de uma questão de saúde pública, mas de um imperativo ético e moral. "Com as ferramentas disponíveis, é necessário identificar as pessoas acometidas e superar barreiras existentes através do desenvolvimento de novas estratégias", declarou.

Ele ainda ressaltou que o feito alcançado pelo Brasil ao erradicar a filariose serve como um exemplo para outras doenças negligenciadas. "Assim como eliminamos a filariose, podemos almejar a erradicação da oncocercose e do tracoma, além de avanços significativos no combate à tuberculose e ao HIV. O Brasil tem plenas condições de se manter como líder regional nessas iniciativas", afirmou Barbosa, destacando o papel crucial dos governos estaduais e municipais, além das instituições acadêmicas e científicas.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, também participou da cerimônia e salientou que enfermidades como a filariose linfática são tanto reflexo quanto fator agravante das desigualdades sociais. "Essas doenças são simultaneamente causas e consequências das condições precárias. Este reconhecimento simboliza um momento especial na história do país", comentou.

Trindade dedicou o certificado às pessoas afetadas pela doença no passado, afirmando que é um passo importante para resgatar uma dívida histórica no cuidado com essas populações marginalizadas. Ela reiterou que essas não são simplesmente "doenças da pobreza", mas sim resultado da omissão e falta de atenção adequadas às necessidades básicas de saúde pública.


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