
por Ricardo Sayeg
Publicado em 28/04/2025, às 05h03
Em meio às infinitas situações da existência humana, onde as palavras entrelaçam os fios da compreensão e os pensamentos moldam os contornos da realidade, frequentemente reflito sobre o papel que desempenho nas colunas dos jornais.
O significado de ter uma coluna de jornal não é apenas escrever palavras ao vento — é tocar vidas, despertar consciências, provocar sorrisos, lágrimas, esperanças ou até mesmo indignação.
Reafirmo, com sincera convicção, o propósito de ser socialmente útil, contribuindo, de acordo com minhas crenças e visão de mundo, para a cultura e a informação, para o fortalecimento dos valores éticos de nosso povo e para a construção de uma sociedade mais consciente.
Não hesito em expor minhas reflexões e convicções, porém sempre com respeito à dignidade de cada pessoa e à pluralidade de ideias que deve caracterizar uma verdadeira democracia e a liberdade de expressão.
Busco, apesar da firmeza, jamais ofender quem quer que seja.
Compreendo que a luz incomoda as trevas — e, em sua essência, a imprensa livre é a luz do mundo, o motor da consciência coletiva cotidiana.
Não pretendo impor minhas ideias a ninguém. Escrevo para aqueles que, de algum modo, consideram que minhas reflexões merecem atenção — estejam em consonância ou em divergência comigo.
O que realmente importa sempre que estou a ocupar espaço nos jornais, é contribuir, ainda que modestamente e segundo meu falível juízo, para o sal da terra, cooperando para o conteúdo e o sabor do debate público.
O sal não busca aplausos, tampouco vive deles. Embora, quando ausente no tempero da vida, tudo fica sem gosto e sua falta é sempre sentida.
Esta é a missão daqueles que expõem seus pensamentos movidos por ideal. Não se busca aplausos, mas sim, o despertar das pessoas, pois, se assume o chamado de agente fomentador da consciência coletiva.
Assim penso e assim procuro atuar, mesmo entre falhas e limitações.
Sustento-me nas palavras de Jesus no alto do monte, falando às multidões, como registrado no Evangelho de Mateus 5:13: “Vós sois o sal da terra”.
Naqueles tempos antigos, o sal era algo precioso. Era usado para conservar alimentos, para purificar e para realçar sabores. É até hoje símbolo de algo vital e indispensável.
Esta deve ser a nossa missão enquanto colaboradores da consciência coletiva, na busca de conservar o que é bom, purificar o que precisa ser resgatado e dar sabor à vida, espalhando um pouco de discernimento neste mundo complexo e difícil.
Jesus nos ensinou pela morte na cruz que, se esquecermos quem somos e o que viemos fazer, seja o que for; nossa existência perde seu verdadeiro sentido; e, portanto, o sacrifício é sagrado.
Não podemos permitir que a nossa fé e propósito se diluam ou que a nossa missão se torne meramente mecânica.
Ser o sal da terra é agir todos os dias em prol do bem comum nas nossas atitudes e escolhas que tornam o mundo melhor.
É levar valores e princípios eternos para dentro da efemeridade da vida.
Peço a Deus que me fortaleça e dê sabedoria para cumprir esta missão, apesar da minha imperfeição. Que eu possa ser fiel aos meus valores e princípios, mesmo com minhas limitações humanas, e que minha voz seja um instrumento de luz e despertar das consciências.
E se, através da palavra escrita, eu puder iluminar ao menos um coração e reavivar uma consciência adormecida, já terei cumprido esta minha missão neste inóspito mundo.
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