
por Ricardo Sayeg
Publicado em 23/06/2025, às 15h03
Estima-se que cerca de mais de 70 milhões de brasileiros se identificam como evangélicos, o que representa aproximadamente 35% da população nacional.
Como milhões de brasileiros, afirmo com absoluta convicção minha identidade na fé como cristão e evangélico. Temos o direito constitucional de professar essa nossa fé e seus valores cristãos.
Porém, que fique claro, ser cristão não invalida os valores republicanos em que acreditamos, tampouco nos desqualifica como cidadãos.
Se seguir a Jesus é ser conservador, então sim, somos conservadores dos ensinamentos do Cristo — pois Ele é o caminho, a verdade e a vida. O Alfa e o Ômega.
Ser cristão é simplesmente um estilo de vida baseado no amor ao próximo como a si mesmo. É cultuar, preservar e promover a cultura e a fé cristã, os ditames da Bíblia Sagrada e o testemunho vivo de nosso Senhor Jesus Cristo. Proteger as famílias. Orientar os jovens. Cuidar das crianças. Acolher os idosos e os enfermos. Alimentar e abrigar os pobres. Combater as drogas e o aborto.
Aliás, este é o mais sagrado juramento templário; e, assim, os valores que jurei defender.
Ocorre que, sofremos discriminação real e inaceitável. É preciso reconhecer: a cristofobia existe.
No campo clínico, “fobia” é um transtorno de ansiedade marcado por medo irracional diante de estímulos inofensivos. Contudo, no vocabulário jus-sociopolítico contemporâneo, o termo passou a designar formas de hostilidade direcionada a grupos sociais ou religiosos, como ocorre com a homofobia, a islamofobia, a judeufobia etc. Nesse caso, não se trata de uma condição médica, mas de intolerância, preconceito e racismo sistêmico.
A cristofobia insere-se nesse mesmo espectro. Ela se manifesta por meio de ilegal deslegitimação moral, censura simbólica ou marginalização cultural, entretanto, lembrando-se de que necessita de dolo específico do agente para ser configurada e juridicamente combatida.
A Constituição é inequívoca: é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo vedada qualquer forma de discriminação por motivo de religião; todavia, consagra igualmente a liberdade de expressão, daí a necessidade de dolo específico que emerge da ponderação.
A propósito, recentemente testemunhei uma figura pública escorregar e lançar em público um comentário pejorativo — absolutamente deslocado — sobre cristãos conservadores. No caso, nem sequer se tratava de um humorista, apesar do gracejo de mau gosto. Uma observação inoportuna feita fora de contexto, sem qualquer valor construtivo. O que se tentou agradar como gracejo, em verdade, teve aroma de preconceito religioso. Faltou-lhe compostura, mas com certeza não houve dolo específico, muito menos racismo; consequentemente, não houve cristofobia. Convenhamos, deve haver bom senso na ponderação dos fatos. Que este artigo lhe alcance e sirva para reflexão e iluminação.
Enfim, a mesma liberdade que protege a diversidade de ideias deve resguardar também aqueles que edificam, sustentam e defendem a fé cristã.
Assim como se combate legitimamente a homofobia, a islamofobia, o antissemitismo e o racismo, é hora de reconhecer que a cristofobia também é uma forma de intolerância a ser combatida. Negá-la é promover o racismo religioso contra quem vive sua fé no Cristo com autenticidade.
Ser cristão não nos estigmatiza, muito menos seremos dilacerados por essa onda de assédio moral contra a fé evangélica, levantada em discursos de bandeira dita progressista.
Aqui não se trata de vitimismo. Trata-se de uma resistência legítima ao preconceito. Cristãos evangélicos são cidadãos plenos. E, diante de discursos dolosos que buscam desqualificar nossa cidadania como seguidores de Jesus, reafirmamos: não aceitaremos o silenciamento de nossa fé, nem a marginalização de nossos valores; muito menos o racismo religioso.
A cristofobia é real; e combater o racismo religioso é um dever de todos aqueles que verdadeiramente defendem os direitos humanos.
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