
por Rav Sany
Publicado em 15/09/2025, às 09h35
As recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista no dia 5 de setembro, são graves e de profunda ignorância sobre o assunto. Suas palavras, além de infelizes, soaram discriminatórias e desrespeitosas. Generalizando a política do Estado de Israel a comunidade judaica brasileira, o chefe do executivo divide os judeus da população maior do Brasil, cobrando deles algo que não cobrou de nenhuma outra comunidade dando margem para uma visão perigosa de que não seriam cidadãos plenos deste país que também pertencemos, já que somos brasileiros (nascidos ou naturalizados).
Além de repetir sua acusação absurda de leigo sobre o assunto, acusa Israel de genocídio sendo que sequer fala sobre o ataque terrorista do 07 de outubro e os reféns que ainda se encontram nas mãos do Hamas.
Minha sugestão ao Lula, que se diz democrata, é a leitura do livro “Guerra de Narrativas”, do major Rafael Rozenszajn, no qual eu colaboro com a carta de apresentação junto com o ministro do STF, André Mendonça, o qual reconhece o direito de Israel se defender de um regime terrorista sanguinário que se esconde atrás de civis e constrói suas bases militares que ameaçam a existência de Israel, embaixo de hospitais e escolas.
Presidente Lula, somos judeus e somos brasileiros com raízes profundas nesta nação desde a sua fundação. A história mostra que já estávamos presentes desde o descobrimento do Brasil, quando Pero Vaz de Caminha, de origem judaica, registrou a chegada de Cabral. Contribuímos em todas as áreas da sociedade, sempre com amor, dedicação e orgulho de nossa identidade.
Negar esse pertencimento fere princípios de igualdade, além de abrir espaço para intolerâncias que o Brasil não pode admitir. Somos parte indissociável desta pátria, assim como cristãos, muçulmanos e pessoas de todas as religiões e origens que compõem o rico mosaico brasileiro.
O silêncio sobre atrocidades, como os ataques do Hamas, e o sofrimento dos reféns ainda em cativeiro, não é neutralidade: é omissão diante do mal. A tradição judaica nos ensina: “Não te calarás diante do sangue do teu próximo” (Levítico 19:16).
É preocupante quando palavras vindas da maior autoridade do país, em vez de unirem, acabam semeando divisão. Como rabino, não posso me calar. Liderança é responsabilidade sagrada. Cabe ao presidente proteger todos os brasileiros e isso inclui nós, judeus.
Seguiremos firmes, como filhos desta terra e filhos de Israel, comprometidos com a verdade, com a democracia e com a paz. Nunca deixaremos de levantar a voz contra o preconceito e a injustiça.
Orando pela paz mundial e que o ódio nunca mais exista contra quem quer que seja.
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