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A coragem da Rainha Ester ainda ecoa nas ruas do Irã

A coragem da Rainha Ester ainda ecoa nas ruas do Irã - Imagem gerada por IA
A coragem da Rainha Ester ainda ecoa nas ruas do Irã - Imagem gerada por IA
Rav Sany

por Rav Sany

Publicado em 02/03/2026, às 12h01


Vivemos tempos em que conflitos são analisados apenas por mapas, alianças políticas e interesses estratégicos. No entanto, há momentos históricos em que precisamos olhar além da geopolítica e enxergar algo mais essencial: a dignidade humana.

Quando a violência ultrapassa fronteiras e passa a atingir diferentes países e sociedades, deixa de ser apenas um conflito regional. Torna-se um alerta global — não apenas militar, mas moral.

Para compreender o momento atual, é necessário recordar uma história que marcou silenciosamente a consciência do mundo.

A jovem que desafiou o medo

Anos atrás, uma jovem iraniana foi presa simplesmente por desejar liberdade — por querer viver sem medo e expressar quem era. Não liderava movimentos políticos nem carregava bandeiras ideológicas. Seu único gesto foi buscar autonomia sobre a própria vida.

Diante da opressão, ela declarou palavras que ecoaram muito além das fronteiras do seu país:

“Vocês podem controlar nossas ruas, mas não podem controlar nossos sonhos.”

Essa frase tornou-se símbolo de milhões de pessoas que vivem sob regimes onde pensar livremente pode ser considerado uma ameaça.

Ela nos lembra de uma verdade universal: governos podem controlar espaços físicos, mas jamais conseguem aprisionar a alma humana.

Purim e a repetição da história

A tradição judaica ensina que a história não apenas acontece — ela se repete em diferentes formas.

A festa de Purim, celebrada pelo povo judeu há milênios, conta justamente a história de um decreto de destruição que surgiu na antiga Pérsia, território que hoje corresponde ao Irã moderno.

Naquele tempo, o conselheiro real Haman decretou o extermínio do povo judeu. O medo tomou conta. O futuro parecia perdido. Tudo indicava que a história terminaria em tragédia.

Mas uma jovem mulher mudou o destino de uma nação.

Ester, uma rainha aparentemente sem poder político real, decidiu não permanecer em silêncio diante da injustiça. Arriscou a própria vida para defender seu povo — e naquele instante, a história mudou de direção.

Purim tornou-se, desde então, a festa da reviravolta:

quando o medo se transforma em coragem,
quando decretos de destruição se transformam em vida,
quando lágrimas se transformam em alegria.

O nome oculto e os milagres invisíveis

Há um detalhe singular no Livro de Ester: o nome de D’us não aparece em nenhum momento do texto.

Os sábios explicam que isso não representa ausência divina, mas ocultamento. Existem períodos da história em que parece que D’us está silencioso — enquanto, na verdade, está conduzindo os acontecimentos nos bastidores.

Talvez vivamos exatamente um desses momentos.

O mundo observa tensões crescerem, sociedades se dividirem e regimes demonstrarem força através da repressão. Mas a história judaica ensina que os maiores milagres frequentemente começam quando tudo parece oculto.

Povos e regimes não são a mesma coisa

É fundamental afirmar algo com clareza moral: povos não são seus governos.

O povo iraniano possui uma civilização milenar, rica em cultura, filosofia e espiritualidade. Judeus e persas compartilham uma história profunda — uma história onde, um dia, a salvação do povo judeu nasceu justamente daquela terra.

Hoje, assim como no passado, vemos pessoas comuns desejando dignidade, liberdade e vida. O anseio humano é universal.

O problema nunca é o povo. O problema é a opressão.

Regimes que reprimem sua própria população, silenciam dissidentes e restringem liberdades fundamentais revelam uma lógica baseada no medo. E a história demonstra que a repressão interna raramente permanece limitada às próprias fronteiras.

Quando a violência ultrapassa limites nacionais, o mundo inteiro é afetado.

Um chamado à consciência global

Não se trata de incentivar conflitos, mas de reconhecer responsabilidades morais.

Não há justificativa ética para defender regimes que oprimem mulheres, perseguem cidadãos por desejarem liberdade ou sustentam sua autoridade através da intimidação. Tampouco é possível ignorar os riscos globais quando estruturas de poder baseadas no medo buscam ampliar capacidades militares que podem alterar o equilíbrio mundial.

A verdadeira paz não nasce da negação da realidade, mas da coragem de enfrentá-la com lucidez.

A mensagem de Purim para o nosso tempo

Purim nos lembra que a história nunca termina no momento do medo.

Ela continua.

Continua quando alguém decide falar.
Quando alguém escolhe coragem em vez de silêncio.
Quando sonhos sobrevivem à opressão.

A jovem iraniana que afirmou que sonhos não podem ser controlados ecoa, séculos depois, a coragem da rainha Ester.

Ambas nos ensinam que regimes podem tentar silenciar vozes — mas não conseguem aprisionar o espírito humano.

Que neste Purim possamos acreditar novamente que a luz sempre encontra um caminho.

Que D’us proteja todos aqueles que buscam liberdade, guarde Seu povo e conduza o mundo a dias de paz verdadeira.

Chag Purim Sameach


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