
por Rabino Sany Sonnenreich
Publicado em 19/12/2022, às 08h27
Há mais de dois mil anos, macabeus venceram o poderoso exército grego em uma guerratravada para preservar as tradições da vida judaico que os gregos procuravam abolir. Ao reinaugurarem o Templo, houve escassez de óleo utilizável para a menorá. Ela era acesa apenas por meio de azeite puro. Havia o suficiente para um dia. E, para a surpresa de todos, as chamas continuaram queimando por mais sete dias.
O fato significou um milagre tão grande que justifica, até hoje, o povo judeu acender menorá por milhares de anos em comemoração.
Mas vale a reflexão:
O que estamos comemorando?
D"us já fez milagres muito mais impressionantes no decorrer de nossa história!
Por que esse se transformou em uma festa?
Para responder a essa pergunta, precisamos definir alguns termos. Vamos começar com os conceitos de "natureza" e "milagre". Estamos acostumados a tratar as leis da natureza como permanentes e imutáveis. As leis da física e da química definem a ordem natural do mundo e somos obrigados a funcionar dentro dessa ordem. Não há como contorná-los.
O pensamento judaico ensina que, embora sejamos forçados a funcionar dentro dos limites da natureza, ela carece de sua própria existencia dependente. As leis da natureza são estabelecidas e mantidas por D"us e podem ser mudadas por Ele. Um evento que surge de acordo com a física que conhecemos é chamado de evento natural. Um evento que se desenrola de maneira inconsistente com a física que conhecemos é chamado de milagre. Em ambos os eventos, no entanto, D"us está puxando as cordas!
Houve dois milagres na história do Chanuká. O do azeite e o da vitória judaica sobre o exército grego.
A Grécia era uma potência mundial com um exército poderoso e amedrontador. Os macabeus eram uma família de sacerdotes do Templo que iniciou a guerra contra os gregos, os quais superavam em número os soldados judeus e eram profundamente mais habilidosos militarmente. Se a guerra tivesse ocorrido de acordo com a ordem natural do mundo, o povo judeu teria sofrido uma derrota total. Portanto, a vitória judaica incorpora um milagre. No entanto, é um milagre oculto envolvido na ordem natural. É o tipo de milagre que não é tão óbvio até que alguém o contemple!
A derrota dos gregos pelo exército judeu, muito inferior quantitativa e poderosamente falando, representou um milagre mais significativo e impressionante do que velas queimando sete dias extras. Então, por que não destacamos o maior milagre de derrotar o exército grego?
Por que o acendimento das velas de Chanuká foi a maneira escolhida para celebrar essa festa?
A resposta é que existe o grande perigo de que as pessoas acabem descartando o milagre ocultoconectado à ordem natural e atribuam a vitória às habilidades superiores de luta e estratégia dos corajosos macabeus!
Em contraste, o milagre das velas é um milagre flagrante, abertamente aparente, não atribuível à nenhuma ordem natural. Consequentemente, o evento é claramente atribuído à intervenção de D"us. O milagre das velas lança luz sobre a guerra, enquadrando a vitória militar também como a presença de D”us por de trás de tudo e de todos. Com essa mentalidade, nossas velas de Chanuká podem nos ajudar a transformar a maneira como vemos nossas próprias vidas. Após essa reflexão, podemos reconhecer que os eventos aleatórios de nossa própria jornada de vida pessoal não são meras coincidências. Eles são o produto da mão orientadora do Criador. É o que chamamos de providência Divina. Descobrir o significado de Chanuká nos ajuda a transformar o que parece, para muitos, um um ritual vazio ou acendimento de velinhas infelizmente, em uma prática cheia de significado e sabedoria milenar.
Que a luz que desce para o mundo nesses oito dias de Chanuká nos acompanhe até o próximo chag (próxima festividade).
CHANUKÁ SAMEACH!
Rav Sany
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