Magno Malta e Eduardo Girão enviam ofício diante de suposta capacidade de intimidação de grupo investigado no caso Master; pedido acompanha fase mais recente de prisões e busca garantir integridade do ministro do STF.

Ana Beatriz Publicado em 05/03/2026, às 20h55
Senadores solicitaram à Polícia Federal medidas adicionais de segurança para o ministro do STF, André Mendonça, devido a preocupações com sua integridade física em meio à Operação Compliance Zero, que investiga um esquema criminoso complexo.
A operação, que já resultou em prisões e buscas, investiga fraudes bilionárias no sistema financeiro, com foco no Banco Master e crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, aumentando a tensão após a morte de um operador do grupo investigado.
A Polícia Federal avaliará o pedido dos senadores e pode implementar medidas de proteção para Mendonça, garantindo que ele exerça suas funções sem pressões ou ameaças que comprometam as investigações.
Os senadores Magno Malta (PL‑ES) e Eduardo Girão (Novo‑CE) formalizaram, nesta quinta‑feira (5), um pedido à Polícia Federal (PF) para que avalie medidas adicionais de segurança para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero. O pedido foi dirigido ao diretor‑geral da corporação, Andrei Rodrigues, por meio de ofício no qual os parlamentares demonstram preocupação com a integridade física do magistrado diante da “dimensão do esquema investigado” e da capacidade de monitoramento, coerção e intimidação atribuída à organização criminosa alvo da investigação.
Segundo o documento, elementos reunidos pela Polícia Federal nas apurações apontam para a existência de uma “estrutura criminosa complexa” com elevado poder econômico, atuação organizada e capacidade de vigilância sobre adversários, o que justificaria cautela extra na proteção do ministro responsável por autorizar prisões e conduzir os inquéritos.
Os pedidos ocorrem no contexto da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes bilionárias no sistema financeiro, envolvendo o Banco Master e uma série de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e atentados à ordem pública. Na nova etapa das investigações, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sob autorização do ministro Mendonça.
Entre os alvos da operação está o empresário Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, cuja prisão preventiva foi decretada por Mendonça. O ministro também ordenou o afastamento de dois servidores do Banco Central — Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana — sob suspeita de irregularidades que poderiam favorecer a organização investigada.
A tensão em torno da apuração aumentou após a morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, considerado operador do grupo de monitoramento e intimidação ligado a Vorcaro, que foi encontrado morto na cela da Superintendência da PF em Belo Horizonte. A Polícia Federal informou que Mourão tirou a própria vida enquanto estava sob custódia.
No ofício, os senadores destacaram a necessidade de cautela e “eventual adoção de reforço na proteção” de Mendonça para assegurar que ele possa exercer plenamente sua função jurisdicional e evitar qualquer tentativa de pressão ou ameaça que possa interferir no andamento das investigações e no curso da Justiça.
A solicitação será analisada pela direção da Polícia Federal, que possui atribuição para implementar medidas de proteção quando consideradas necessárias às autoridades sob risco devido a investigações sensíveis.
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