No horário eleitoral que começa no próximo dia 26, Bolsonaro terá 22% de todo o tempo dedicado à propaganda

Jair Viana Publicado em 09/08/2022, às 11h57
Uma aliança composta de nove partidos rendeu ao ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta o terceiro mandato, o maior tempo de televisão e rádio dentro o horário eleitoral gratuito, que começa no próximo dia 26.
Lula terá 3 minutos e 23 segundos em cada um dos dois períodos da programação (horário do almoço e à noite). O atual presidente, JairBolsonaro (PL), que tenta a reeleição terá 2 minutos e 45 segundos em cada horário. A aliança de Bolsonaro é composta de três partidos.
Na eleição de 2018, quando venceu, Jair Bolsonaro teve apenas 8 segundos em cada bloco diários do horário gratuito. Mesmo com pouco tempo de propaganda na TV e no Rádio, ele venceu Fernando Haddad (PT).
Nesta eleição, Bolsonaro ficou com 22% do total de propaganda na TV. Com esse índice, o presidente que tem, proporcionalmente, o menor tempo entre os chefes de todos os presidentes que disputaram a reeleição desde a redemocratização.
A diferença em relação ao tempo obtido pelos outros é grande. O ex-presidente Fernando Henrique teve 47%, em 1998, e Dilma Rousseff ficou com 45%, em 2014. Bolsonaro quase empata com seu rival, Lula, que quando disputou a reeleição em 2006 obteve 29% do tempo da propaganda eleitoral gratuita.
A senadora Simone Tebet (MDB), que disputa a presidência, terá 2 minutos e 25 segundo. Ou seja, ela tem apenas 25 segundos a menos que o presidente Bolsonaro. Tebet tem em sua aliança o PSDB, Cidadania e Podemos.
Já Soraya Thronicke (UB), sem coligação, terá acesso a 2 minutos e 14 segundos, puxados pelo peso de seu partido, o União Brasil, na Câmara. Isso ocorre porque o número de deputados federais eleitos em 2018 é o principal fator para definir o tempo de cada candidato.
O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT) não fechou aliança com nenhum partido e por isso terá apenas 53 segundos de tempo de TV.
O tempo destinado a cada coligação ainda pode ser alterado, caso haja desistência ou impugnação de alguma candidatura. O prazo para o registro dessas candidaturas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) termina na próxima segunda-feira (15).
Alguns partidos ficarão de fora da propaganda eleitoral. São aqueles que não atingiram a cláusula de barreira. Neste caso, nas eleições deste ano não estarão na grade de programação gratuita: PMN, PTC, DC, Rede, PCB, PCO, PMB, PRTB, PSTU e UP.
Para Felipe Borba, especialista em campanha política, horário eleitoral e propaganda negativa, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), a TV continua sendo importante, mesmo diante do crescimento das redes sociais.
Ele chama atenção para o efeito especialmente das inserções, propagandas diárias de 30 segundos veiculadas nos intervalos comerciais das emissoras, que pegam os eleitores de surpresa.
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