Em reunião com ministros, presidente admite antipatia por Rueda e cobra apoio político, após desgaste com União Brasil e Progressistas no governo

Manoela Cardozo Publicado em 03/09/2025, às 11h38
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou claro, na semana passada, que não mantém qualquer simpatia por Antonio Rueda, líder do União Brasil. Em encontro com 38 ministros, Lula afirmou abertamente que não gosta de Rueda, e que a antipatia é mútua, segundo relatos de auxiliares presentes. Além disso, aproveitou a ocasião para cobrar dos ministros do União Brasil e do Progressistas maior empenho na defesa do governo, caso quisessem permanecer nos cargos.
O recado provocou ainda mais desgaste entre o Palácio do Planalto e os partidos da base. Poucos dias depois, União Brasil e Progressistas confirmaram que vão deixar o governo, obrigando os ministros Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esporte) a entregar os cargos até o fim de setembro.
Primeiro e único encontro entre Lula e Rueda
Lula e Rueda tiveram apenas uma reunião, em 26 de junho, após a Câmara derrubar um decreto presidencial sobre o IOF, considerado uma derrota dura para o governo. Segundo fontes, a conversa foi marcada por críticas mútuas. Lula reclamou da falta de apoio do União Brasil no Congresso e atacou o mercado por acusações de falta de responsabilidade fiscal. Já Rueda se queixou da condução da política econômica.
O encontro terminou em clima ainda mais pesado quando Lula, já na despedida, perguntou: “E o Bivar, como tá?”. A referência a Luciano Bivar, desafeto declarado de Rueda, foi entendida como um recado calculado para aumentar o desconforto.
A crise interna no União Brasil
O nome de Bivar é motivo de tensão dentro do partido. Ele e Rueda travaram uma disputa pelo comando do União Brasil, marcada por acusações graves. Rueda chegou a acusar Bivar de ordenar incêndios contra imóveis de sua família em Pernambuco e de fazer ameaças de morte. Bivar, por sua vez, sempre negou as acusações.
A lembrança feita por Lula, segundo aliados, não foi casual e teve como objetivo reforçar sua insatisfação com a postura de Rueda diante das pautas do governo. O gesto, porém, ampliou a crise com a sigla, que já havia acumulado atritos com o Planalto desde junho.
Resposta do governo
Diante da decisão dos partidos de desembarcar da base, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, minimizou a saída. “Ninguém é obrigado a ficar no governo, mas quem permanecer tem de estar ao lado das pautas governistas”, declarou.
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