Presidente defende aceleração na exploração de minerais críticos e diz que parcerias estrangeiras são bem-vindas, desde que o Brasil mantenha o controle sobre suas riquezas

Lívia Gennari Publicado em 18/05/2026, às 19h18 - Atualizado às 20h17
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (18), que o Brasil precisa acelerar o levantamento e o desenvolvimento da exploração de terras raras e minerais críticos em território nacional. A declaração foi feita durante cerimônia de inauguração de novas linhas do acelerador de partículas Sirius, em Campinas (SP), onde o governo destacou a importância estratégica desses recursos para o futuro da indústria tecnológica.
As chamadas terras raras reúnem 17 elementos químicos essenciais para a produção de tecnologias modernas, como smartphones, turbinas eólicas, baterias e equipamentos de uso militar. Embora não sejam escassos na natureza, esses minerais são de difícil extração e processamento, já que aparecem dispersos e misturados a outros materiais.
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desse tipo de recurso, mas ainda depende de avanços na etapa de industrialização — hoje dominada pela China, responsável por cerca de 90% do processamento global.
Durante o discurso, Lula relacionou o tema à disputa geopolítica entre grandes potências e defendeu que o Brasil amplie sua capacidade de articulação internacional no setor. Ele citou a possibilidade de cooperação com diferentes países e mencionou até uma eventual convergência entre Estados Unidos e China em projetos envolvendo minerais estratégicos.
A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência de vocês pra gente dar um salto e ver, se em um curto espaço de tempo, a gente faça com que o Trump deixe de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui", afirmou o presidente.
Apesar da defesa por parcerias, o presidente reforçou que os recursos minerais brasileiros não poderão ser explorados sem controle nacional. Segundo ele, o país está aberto a investimentos estrangeiros, mas sem abrir mão da soberania sobre suas riquezas.
Não temos preferência por ninguém. Aqui pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano, pode vir quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas, e a gente quer explorar aqui dentro”, acrescentou Lula.Lula também destacou que o governo pretende adotar um modelo diferente de exploração em relação ao usado historicamente com commodities como ferro e ouro, priorizando maior agregação de valor dentro do país.
O evento em Campinas ocorreu em meio ao esforço do governo para posicionar o Brasil de forma mais competitiva na cadeia global de minerais estratégicos. Nos últimos meses, o presidente tem intensificado agendas ligadas ao tema e defendido maior protagonismo brasileiro nesse mercado.
Em paralelo, o cenário internacional segue marcado pela disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Recentemente, encontros diplomáticos entre os dois paísesforam classificados como positivos por ambas as partes, embora sem anúncios concretos de novos acordos comerciais.
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