O presidente enfatizou que o investimento necessário para combater a crise climática é muito maior do que o acordado em 2009

Gabriela Thier Publicado em 04/07/2025, às 15h41
No encontro anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), realizado na última sexta-feira (4) no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a necessidade de que os países desenvolvidos honrem seu compromisso firmado em 2009 durante a COP15, em Copenhague. Na ocasião, ficou acordado que esses países destinarão anualmente US$100 bilhões para auxiliar as nações em desenvolvimento a enfrentarem os desafios das mudanças climáticas. "Todos estão cientes de que desde 2009, na COP 15, foi decidido que os países ricos deveriam ajudar os países pobres com uma doação anual de US$100 bilhões para lidar com a situação climática. Já estamos em 2025 e esse montante ainda não foi disponibilizado", afirmou Lula.
O presidente também enfatizou que a quantia originalmente estipulada se tornou inadequada frente à gravidade da crise climática atual. Ele apontou que o mundo necessita, na verdade, de um investimento de US$1,6 trilhão por ano para cumprir as metas de redução das emissões de gases do efeito estufa e evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5°C, conforme estipulado pelo Acordo de Paris. "Não há outro planeta habitável. Até agora, não descobriram nenhum. Portanto, somos forçados a desenvolver um modelo que assegure a mitigação dos impactos dos gases de efeito estufa", acrescentou o presidente.
Desigualdade e Transição Ecológica
Lula ressaltou ainda que o combate à crise climática requer novos mecanismos financeiros direcionados especialmente à transição ecológica nos países em desenvolvimento, que enfrentam desafios sociais e estruturais significativos. Para ele, essa é uma responsabilidade coletiva e urgente. "Este é um desafio global que não pode ser ignorado. Precisamos formular um modelo de desenvolvimento que seja justo, inclusivo e sustentável. Isso demanda um compromisso genuíno dos países mais ricos, e não apenas promessas", destacou.
Compromissos Climáticos em Debate
Embora o Brasil tenha buscado um papel proeminente em fóruns internacionais sobre meio ambiente, enfrenta críticas internas relacionadas ao aumento do desmatamento em certas áreas e à lentidão na implementação de políticas ambientais. Apesar dessas adversidades, o presidente tem enfatizado repetidamente que sem o suporte financeiro das nações com maiores emissões de carbono, será impossível atingir as metas globais estabelecidas pela ONU.
A declaração de Lula durante o evento do NDB sinaliza a pressão que o governo brasileiro pretende exercer na próxima COP 30, agendada para 2025 em Belém (PA) — evento que será histórico por ser a primeira Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas realizada na Amazônia.
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