Diário de São Paulo
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Crise Institucional

Ex-presidente da Alerj é preso pela PF e aprofunda crise política no Rio

Rodrigo Bacellar volta ao centro das investigações após decisão do STF; caso envolve suspeita de vazamento de operação ligada ao crime organizado e abala a estrutura de poder no estado.

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, é investigado por suspeita de vazamento de operação policial e obstrução de Justiça - Imagem: Reprodução
Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, é investigado por suspeita de vazamento de operação policial e obstrução de Justiça - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 27/03/2026, às 22h05


Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, é alvo de investigação da Polícia Federal por vazamento de informações sigilosas, autorizado pelo STF, que apura obstrução de Justiça e favorecimento a criminosos. Sua prisão em 2025 e as acusações de alertar investigados sobre operações policiais geraram uma crise política significativa no estado.

As investigações revelam que Bacellar teria não apenas alertado um ex-deputado ligado ao crime organizado, mas também orientado a destruição de provas, o que caracteriza uma tentativa de interferência nas investigações. O caso, que envolve possíveis conexões com facções criminosas, comprometeu ações contra o tráfico de armas e drogas.

Após ser solto com medidas cautelares, Bacellar foi denunciado em 2026, levando à sua cassação e agravando a instabilidade política no Rio de Janeiro. A situação exige uma reorganização da estrutura de poder no estado, impactando diretamente a sucessão ao governo.

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, voltou ao centro de uma das maiores crises políticas do estado após ser alvo de ação da Polícia Federal em investigação que apura vazamento de informações sigilosas. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de um inquérito que envolve suspeitas de obstrução de Justiça e favorecimento a investigados ligados ao crime organizado.

Bacellar já havia sido preso preventivamente em dezembro de 2025 durante a Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de dados confidenciais de uma operação policial. Segundo as investigações, o então presidente da Alerj teria repassado informações antecipadas sobre uma ação da Polícia Federal que resultaria na prisão do ex-deputado estadual conhecido como TH Joias, suspeito de ligação com o Comando Vermelho.

De acordo com a PF, há indícios de que o parlamentar não apenas teria alertado o investigado, como também orientado a destruição de provas, o que configura tentativa de interferência direta no andamento das investigações.

Após a prisão, Bacellar foi solto poucos dias depois, mediante decisão que impôs uma série de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar e proibição de contato com outros investigados.

Mesmo fora da prisão, o caso evoluiu. Em 2026, o político foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por obstrução de investigação e voltou a ser formalmente implicado no esquema, reforçando a gravidade das acusações.

Impacto político imediato

A crise envolvendo Bacellar ultrapassa o campo judicial e atinge diretamente o equilíbrio político do estado do Rio de Janeiro. À época da prisão, ele ocupava um dos cargos mais estratégicos da estrutura estadual, sendo o primeiro na linha de sucessão ao governo em caso de vacância.

Com seu afastamento e posterior cassação do mandato em 2026, o estado entrou em um cenário de instabilidade institucional, afetando inclusive a sucessão ao governo e exigindo reorganização da estrutura de poder.

Contexto da investigação

A investigação gira em torno de um possível esquema de vazamento de operações policiais para beneficiar aliados políticos supostamente ligados ao crime organizado. O caso ganhou dimensão nacional por envolver não apenas um chefe do Legislativo estadual, mas também possíveis conexões com facções criminosas.

A Polícia Federal e o Ministério Público sustentam que o vazamento comprometeu ações estratégicas contra o tráfico de armas e drogas, o que elevou o caso ao STF, sob relatoria de Alexandre de Moraes.


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