Bolsonaro pediu informações falsas sobre vacinação para obter certificados fraudulentos

Gabriela Thier Publicado em 19/02/2025, às 17h36
Durante as investigações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, que atuou como ajudante de ordens do ex-mandatário, fez uma revelação durante seu depoimento em delação premiada. Cid afirmou que recebeu instruções diretas de Bolsonaro para inserir informações fraudulentas sobre vacinação contra a covid-19, com a intenção de obter certificados falsos tanto para o ex-presidente quanto para sua filha, uma vez que Bolsonaro não havia sido vacinado.
A delação de Mauro Cid teve seu sigilo revogado nesta quarta-feira (19), a pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No depoimento prestado à Polícia Federalem agosto de 2023, Cid relatou que a solicitação do então presidente ocorreu após descobrir que ele mesmo havia conseguido, para sua família e para si, cartões de vacinação através da inserção de dados incorretos no sistema Conecte SUS, no ano de 2021.
Cid, responsável pela gestão da conta de Conecte SUS de Bolsonaro, revelou que após realizar a inserção dos dados falsos, imprimiu os cartões vacinais correspondentes ao ex-presidente e sua filha e os entregou pessoalmente a Bolsonaro. O tenente-coronel explicou que o intuito por trás da obtenção dos cartões falsos era garantir que o ex-presidente pudesse apresentá-los em situações que exigissem comprovação de vacinação, como em viagens internacionais, onde a apresentação do documento era obrigatória para entrada em diversos países.
Além disso, Cid informou que os dados inseridos no sistema foram excluídos logo após a impressão dos cartões. Vale lembrar que pouco antes de deixar a presidência, no dia 30 de dezembro, Bolsonaro embarcou para os Estados Unidosacompanhado por sua esposa e filha. Entretanto, devido ao uso do passaporte diplomático durante essa viagem, ele não precisou apresentar o cartão vacinal segundo as normas vigentes nos EUA.
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