Líder do governo Lula no Senado questiona a legalidade da 9ª fase da Operação Compliance Zero e sustenta que medidas autorizadas pelo Supremo foram baseadas em elementos considerados insuficientes por sua defesa.

Ana Beatriz Publicado em 23/06/2026, às 00h29
O senador Jaques Wagner recorreu ao Supremo Tribunal Federal para anular a operação da Polícia Federal que o investiga por supostas ligações com o escândalo do Banco Master, parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero. A defesa alega que a decisão que autorizou as buscas foi baseada em evidências frágeis, buscando a nulidade dos atos da operação.
A Polícia Federal investiga indícios de que Wagner teria recebido vantagens indevidas por meio de pessoas próximas, com foco em uma negociação de um apartamento de R$ 2,45 milhões, supostamente adquirido por um empresário para transferir ao senador. Mensagens trocadas entre Wagner e o empresário Augusto Lima também são analisadas, com a PF sugerindo que isso reforça a proximidade entre eles.
Após a operação, Wagner se declarou tranquilo e negou qualquer irregularidade, afirmando que não possui vínculos com o Banco Master. O Supremo agora avaliará os argumentos da defesa para decidir sobre a continuidade ou revisão das medidas da Polícia Federal.
O senador Jaques Wagner apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a anulação da operação da Polícia Federal que o colocou no centro de uma das mais recentes frentes de investigação ligadas ao escândalo do Banco Master. A ofensiva faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, e apura possíveis relações entre o parlamentar e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.
A defesa de Wagner argumenta que a decisão que autorizou buscas e outras medidas cautelares teria sido baseada em elementos frágeis e pede que todos os atos decorrentes da operação sejam declarados nulos. O recurso foi protocolado poucos dias após a deflagração da fase mais recente da investigação, que ampliou o alcance das apurações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e seus antigos dirigentes.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que Wagner teria recebido vantagens econômicas indevidas por meio de pessoas próximas e estruturas empresariais ligadas ao grupo investigado. Os investigadores apontam que a relação entre o senador e Augusto Ferreira Lima seria antiga e marcada por elevado grau de confiança, circunstância que, na avaliação da PF, poderia ter favorecido tratativas reservadas relacionadas a interesses do Banco Master.
Entre os elementos citados pelos investigadores está a negociação de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões. A PF sustenta que o imóvel teria sido adquirido por Augusto Lima para posterior transferência ao senador. Wagner, entretanto, admite conhecer o empresário há anos, mas nega qualquer irregularidade e afirma que a negociação imobiliária ocorreu dentro da legalidade.
Outro ponto destacado pela investigação envolve mensagens trocadas entre Augusto Lima e o senador. Em uma das conversas apreendidas pela PF, o empresário afirma a Wagner que ele "faz parte disso", trecho que, segundo os investigadores, reforçaria a proximidade entre ambos durante discussões relacionadas ao Banco Master. A defesa do parlamentar, contudo, sustenta que o conteúdo foi interpretado de forma equivocada e não demonstra qualquer prática ilícita.
A Polícia Federal também trabalha com a hipótese de que interesses do Banco Master teriam sido defendidos no ambiente político em troca de benefícios recebidos por pessoas ligadas ao senador. A suspeita foi considerada suficientemente relevante para justificar a autorização judicial das medidas cautelares, embora parte dos pedidos formulados pela PF tenha sido rejeitada pelo STF.
Em declarações públicas após a operação, Jaques Wagner afirmou estar tranquilo em relação às investigações e ressaltou que não é réu nem foi condenado por qualquer crime. O senador também negou possuir vínculos com o Banco Master e declarou que encontrou Daniel Vorcaro apenas duas vezes ao longo dos últimos anos.
A Operação Compliance Zero tornou-se uma das maiores investigações financeiras em curso no país. Deflagrada inicialmente para apurar suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa ligadas ao Banco Master, a operação já resultou em bloqueios bilionários de bens, prisões e diversas medidas judiciais contra empresários e agentes investigados.
Agora, caberá ao Supremo analisar os argumentos apresentados pela defesa do líder governista e decidir se a operação será mantida integralmente ou se haverá revisão das medidas adotadas pela Polícia Federal no caso.
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