Polícia Federal investiga a atuação de Carlos Bolsonaro em um esquema de espionagem que envolve o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem

William Oliveira Publicado em 07/04/2025, às 12h16
Na última sexta-feira (4), o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) compareceu à superintendência da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro para prestar depoimento no inquérito que apura a existência de uma estrutura clandestina de espionagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), conhecida como "Abin paralela". A investigação está em fase final e deve ser concluída ainda neste mês.
O principal objetivo da oitiva foi esclarecer a atuação do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin. A PF já possui indícios que podem levar ao indiciamento do parlamentar.
Carlos declarou que não mantém proximidade com Ramagem e disse tê-lo conhecido apenas quando ele assumiu a coordenação da segurança do então candidato Jair Bolsonaro, seu pai, após o atentado em Juiz de Fora (MG), em 2018.
No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a inclusão de dados do inquérito sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado nas investigações da "Abin paralela". Ramagem é réu nesse processo, que envolve também Jair Bolsonaro e outros cinco aliados.
Durante o depoimento, Carlos negou ter solicitado informações obtidas ilegalmente por meio do software israelense FirstMile, usado para monitoramento clandestino de dispositivos móveis. Sua assessora também foi ouvida e afirmou não conhecer Ramagem, negando qualquer envolvimento nas acusações.
Desdobramentos da operação
Em janeiro do ano passado, Carlos já havia sido investigado por suspeita de ter encomendado pesquisas e sugerido alvos para monitoramento com o uso do programa espião. Os alvos incluiriam rivais políticos, jornalistas e autoridades públicas.
Durante as buscas autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, apareceram como possíveis vítimas de espionagem nomes como os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia e o atual ministro da Educação, Camilo Santana.
Uma das provas reunidas pelos investigadores é a troca de mensagens entre a assessora de Carlos e uma auxiliar de Ramagem, ocorrida no período em que ele chefiava a Abin. No diálogo, Luciana Almeida teria solicitado informações sobre dois inquéritos que envolviam Jair Bolsonaro e seus filhos.
Poucos dias antes do depoimento de Carlos, Ramagem foi alvo de uma nova operação da PF, por suspeita de liderar o esquema de espionagem durante sua gestão na Abin, entre 2019 e 2022.
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