Definir um nome para palanques estaduais surge como desafio para a campanha de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição. Conflitos entre nomes de partidos aliados

Redação Publicado em 14/05/2022, às 00h00 - Atualizado às 19h35
Definir um nome para palanques estaduais surge como desafio para a campanha de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição. Conflitos entre nomes de partidos aliados impedem que o segundo candidato mais bem colocado nas pesquisas deixe de confirmar, neste momento, quem receberá o seu apoio em regiões consideradas chave na disputa: Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
Pelas regras eleitorais que passam a valer no pleito deste ano, partidos que estão federados só podem lançar um único candidato. Como o PL, partido do presidente, não está federado com nenhuma outra sigla, isso não é um problema. Contudo, ter mais de um nome na urna em cada unidade federativa para uma única vaga ao Senado é encarado como negativo por dividir votos.

Romário (à esq.) e Daniel Silveira disputam vaga ao Senado pelo RJ — Foto: Divulgação
Rio apresenta um impasse e tanto para os bolsonaristas. O presidente tem dois aliados em disputa pela vaga ao Senado: o ex-jogador de futebol Romário (PL), que já tem uma cadeira na Casa e buscaria a reeleição, e Daniel Silveira (PTB), deputado federal condenado pelo STF a cumprir 8 anos e 9 meses de prisão por incentivar ataques antidemocráticos e contra os ministros do Supremo.
O decreto em que Bolsonaro perdoa a pena a Silveira fez com que o PTB alçasse seu nome, antes cotado para a seguir na Câmara, à candidatura ao Senado. O choque é inevitável com o ex-camisa 11 da seleção brasileira de futebol. Afinal, o PL considera natural a sua manutenção na Casa e, assim, ter o apoio exclusivo do presidente na eleição.
No Distrito Federal, Bolsonaro vê duas ex-ministras de Estado na dança por uma única cadeira: Damares Alves (Republicanos) e Flávia Arruda (PL). Ambas deixaram o governo em março para concorrer ao Senado. Não existia, até aquele momento, um nó a ser desatado. Damares tentaria a vaga pelo Amapá e Flávia, no DF.
Porém, a ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos não obteve acordo regional com partidos aliados ao presidente naquele estado. Ao se filiar no Republicanos, ela optou pelo DF (onde mora desde que assumiu o ministério) como domicílio eleitoral. A escolha a põe como opção nos votos bolsonaristas até então direcionados somente a Flávia Arruda.
Da esquerda para a direita: Carla Zambelli, Datena, Janaína Paschoal e Skaf, postulantes ao Senado por SP — Foto: Divulgação
Principal colégio eleitoral do país, São Paulo criava um entrave de mesmo tamanho para o presidente. Quatro postulantes ao Senado se articulam para contar com Bolsonaro em seus santinhos (como são chamados os materiais de campanha): Janaína Paschoal (PRTB), Carla Zambelli (PL), Paulo Skaf (Republicanos) e José Luiz Datena (PSC).
Cada um leva consigo uma cartada para ser o escolhido. Janaína é conhecida no estado como uma das articuladoras do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016; Zambelli está ao lado de Bolsonaro e fez campanha na eleição vencido em 2018, laço fortalecido desde que chegou à Câmara dos Deputados; Skaf trocou o MDB pelo Republicanos, partido do vice-presidente Hamilton Mourão e lidera um grupo social relevante para Bolsonaro, o das indústrias; já Datena, apresentador de TV, lidera as pesquisas de opinião realizadas para o Senado em SP.
Neste caso, Bolsonaro se articulou e trabalha para que Datena seja o escolhido e componha a chapa com Tarcísio de Freitas, candidato ao governo paulista – como antecipado pelo blog da Natuza Nery. Por sua vez, Datena ainda não cravou sua ida à chapa bolsonarista e, como em eleições passadas, pode desistir de concorrer.
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G1
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