Movimento ocorre em meio à reorganização do governo para o ano eleitoral

Erika Osti Publicado em 19/01/2026, às 18h32
O ministro da Educação, Camilo Santana, confirmou nesta segunda-feira (19), que deve deixar o comando do Ministério da Educação (MEC) ainda nos próximos meses. A decisão faz parte de um movimento político em um ano marcado por eleições gerais e estaduais, com o objetivo de que ele possa se dedicar integralmente à agenda eleitoral de 2026 e atuar como articulador na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT).
Santana informou que, antes de deixar oficialmente o cargo, deve apresentar um balanço das ações do MEC referentes ao ano de 2025, trabalho que está sendo consolidado pela equipe da pasta. Ele estimou que esse relatório, que reunirá dados e resultados das políticas educacionais implementadas nos últimos meses, deve ser concluído até março, quando também será discutida a programação de transição com o presidente Lula.
O ministro, que já declarou apoio público à reeleição de Lula, também deixou claro que sua saída visa reforçar a campanha do governador do Ceará, Elmano de Freitas, e fortalecer a base política no estado que representou como senador. Santana explicou que, como ministro, esteve frequentemente fora de seu estado e acredita que voltar ao Senado para trabalhar diretamente no cenário eleitoral pode contribuir para evitar retrocessos tanto no Ceará quanto no país.
Apesar de manter seu mandato no Senado até 2030, Camilo Santana descartou, por ora, disputar um cargo majoritário no Ceará, como o governo do estado. Ele reafirmou que qualquer movimentação será para apoiar aliados políticos nas eleições de outubro, e não para sua própria candidatura.
No diálogo com a imprensa, Santana também afirmou que a equipe da Educação está “muito bem estruturada” e que a eventual saída dele não prejudicará o andamento das ações em curso no MEC. Entre as áreas que devem continuar sob atenção estão programas de alfabetização, políticas de conectividade nas escolas, incentivos à formação docente e outras iniciativas alinhadas com os objetivos definidos para a educação nacional.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a movimentação é vista como parte da reorganização política do governo diante da antecipação das articulações eleitorais. A expectativa é de que, após a entrega do balanço e uma conversa formal com o presidente Lula, o ministro apresente sua carta de exoneração e inicie um papel mais ativo nas campanhas que se aproximam.
Camilo Santana passou a ocupar o MEC em 2023, após convite do presidente Lula, após ter sido eleito senador com votação histórica em 2022 pelo Ceará. Sua gestão à frente da pasta esteve marcada por esforços para consolidar programas educacionais e responder a desafios antigos da educação brasileira, em um contexto de forte pressão política e orçamentária.
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