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Cenário político

Eleições de 2026 redesenham o governo

Cerca de 20 ministros devem deixar os cargos até abril e entrar na disputa eleitoral

Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde se concentram as principais decisões do governo federal. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.
Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde se concentram as principais decisões do governo federal. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.

Erika Osti Publicado em 16/01/2026, às 19h08


Com a aproximação das eleições de 2026, o governo federal se organiza para uma ampla reformulação no primeiro escalão. Cerca de 20 ministros devem deixar seus cargos até o início de abril para cumprir a legislação eleitoral, que obriga autoridades do Executivo a se afastarem das funções seis meses antes das eleições caso pretendam disputar cargos eletivos. A movimentação atinge áreas estratégicas da administração e deve redesenhar a Esplanada dos Ministérios em pleno ano eleitoral.

A exigência, conhecida como regra da desincompatibilização, está prevista na legislação eleitoral e tem como objetivo impedir o uso da estrutura pública em benefício de campanhas, garantindo igualdade de condições entre os candidatos. Na prática, o calendário transforma os primeiros meses de 2026 em um período de intensa reorganização política dentro do governo.

Por que os ministros precisam sair?

A regra vale para ministros que desejam concorrer a cargos como governador, senador ou deputado federal. Para esses casos, a lei determina o afastamento do cargo até seis meses antes da eleição. Quem não cumpre o prazo fica impedido de disputar o cargo pretendido, o que torna o início de abril uma data decisiva para os integrantes do primeiro escalão com planos eleitorais.

Além dos ministros, a mesma exigência se aplica a secretários estaduais, prefeitos e outras autoridades do Executivo que pretendam se candidatar, o que amplia o impacto político da norma em todo o país.

O que acontece quando um ministro deixa o cargo?

Quando um ministro se afasta para disputar eleições, o ministério não fica sem comando. Em geral, o secretário-executivo, segundo nome mais importante da pasta, assume interinamente. Essa solução garante a continuidade de políticas públicas, contratos e decisões administrativas.

Cabe exclusivamente ao presidente da República decidir se nomeia um novo titular definitivo ou se mantém a pasta sob comando interino até o fim do mandato. Em ano eleitoral, a tendência é cautela: o Planalto costuma evitar mudanças bruscas e avalia critérios técnicos, equilíbrio político entre partidos da base aliada e o impacto das nomeações no Congresso Nacional.

Dois ministros já deixaram o governo

Antes mesmo do prazo legal, o governo já passou por mudanças recentes no primeiro escalão, antecipando o movimento que deve se intensificar nos próximos meses.

No Ministério do Turismo, Celso Sabino deixou o cargo em dezembro de 2025. Para seu lugar, o presidente nomeou Gustavo Feliciano, a fim de garantir a continuidade da pasta e reforçar a articulação política do governo no Congresso.

Já no Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski deixou o cargo no início de janeiro de 2026. O ex-ministro comunicou sua saída ao presidente alegando motivos pessoais e a avaliação de que sua missão estava cumprida. Em seu lugar, assumiu Wellington Lima e Silva, jurista com longa trajetória no serviço público, que passou a comandar a pasta em meados de janeiro.

As duas trocas reforçam a expectativa de que as exonerações ocorram de forma gradual, para evitar impactos abruptos na gestão federal.

Ministros cotados para disputar o Senado

Entre os nomes mais fortes que devem deixar o governo para disputar uma vaga no Senado estão:

  • Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento e Orçamento.
  • Alexandre Silveira (PSD), ministro de Minas e Energia.
  • Carlos Fávaro (PSD), ministro da Agricultura e Pecuária.
  • Rui Costa (PT), ministro da Casa Civil.
  • Silvio Costa Filho (Republicanos), ministro de Portos e Aeroportos.
  • Waldez Góes (PDT), ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional.
  • Marina Silva (Rede), ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

São ministros com forte projeção nacional e influência regional, o que amplia o peso político de suas eventuais saídas.

Disputa por governos estaduais

Alguns integrantes do primeiro escalão também avaliam candidaturas a governos estaduais:

  • Renan Filho (MDB), ministro dos Transportes, cotado para disputar o governo de Alagoas.
  • Márcio França (PSB), ministro do Empreendedorismo, que estuda concorrer a um cargo majoritário em seu estado.

Essas movimentações exigem rearranjos importantes em áreas sensíveis da administração.

Ministros que devem concorrer à Câmara dos Deputados

Outro grupo expressivo deve deixar o Executivo para tentar uma vaga na Câmara:

  • Gleisi Hoffmann (PT), ministra das Relações Institucionais.
  • Paulo Teixeira (PT), ministro do Desenvolvimento Agrário.
  • Luiz Marinho (PT), ministro do Trabalho e Emprego.
  • André de Paula (PSD), ministro da Pesca e Aquicultura.
  • Wolney Queiroz (PDT), ministro da Previdência Social.
  • Sônia Guajajara (PSOL), ministra dos Povos Indígenas.
  • Anielle Franco (PT), ministra da Igualdade Racial.
  • Jader Filho (MDB), ministro das Cidades.
  • Macaé Evaristo (PT), ministra da Cultura.

A saída simultânea desse grupo pode provocar períodos prolongados de comando interino em diferentes ministérios.

Casos ainda em avaliação

Há ministros que ainda não anunciaram oficialmente seus planos eleitorais, mas estão no centro das discussões internas:

  • André Fufuca (PP), ministro do Esporte.
  • Camilo Santana (PT), ministro da Educação.

Ambos avaliam o momento político e o impacto de uma eventual saída.

Além deles, Fernando Haddad (PT), ministro da Fazenda, e Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, também aparecem com frequência em análises sobre 2026. Até agora, no entanto, nenhum dos dois anunciou intenção de deixar o governo para disputar eleições.

Impacto político e administrativo

A saída de cerca de 20 ministros representa um desafio significativo para o Planalto. Pastas estratégicas podem ficar sob comando interino enquanto o presidente busca preservar a estabilidade administrativa e manter a articulação com o Congresso Nacional em um ano decisivo.

Ao mesmo tempo, a reformulação abre espaço para novas negociações políticas e para o fortalecimento de partidos aliados. Mais do que uma exigência legal, a dança das cadeiras no primeiro escalão marca, na prática, o início do ano eleitoral dentro do governo federal e antecipa o clima de campanha que deve dominar o cenário político até outubro de 2026.


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